São Paulo arma estratégia por Ganso

Clube do Morumbi joga com o tempo para tentar convencer o Santos a liberar o meia, que terá valor da multa rescisória reduzida a partir de fevereiro

FERNANDO FARO, PAULO GALDIERI, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2012 | 03h07

O São Paulo já percebeu que não terá vida fácil para tirar Paulo Henrique Ganso do rival Santos e se prepara para uma negociação complicada e que ainda pode demorar algum tempo para ser sacramentada.

Apesar de saber do desejo do Alvinegro de receber os R$ 23,8 milhões a que teria direito para o caso de transferências internacionais, os dirigentes são-paulinos acreditam que conseguirão reduzir significativamente a pedida por um detalhe: a partir de fevereiro, a multa de Ganso cai para R$ 35,5 milhões e o Santos (dono de 45%) teria direito apenas a R$ 16 milhões desse valor.

A estratégia do clube do Morumbi é mostrar que o clube da Baixada perderá ainda mais dinheiro caso não venda o atleta agora. E o Tricolor ainda tem mais um aliado ao seu lado.

A DIS, proprietária dos outros 55% e gerenciadora da carreira do meia, recebeu a proposta de R$ 23,8 milhões pelos 100% dos direitos e a encaminhou ao Santos - a empresa quer ver Ganso jogando no Tricolor. "A proposta é esta, o Santos a recebeu e agora é com eles. Eu não subirei mais", disse o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, endurecendo o jogo.

A DIS também deixou vazar que o São Paulo, jogador e empresa estão acertados e joga a pressão para cima dos santistas para tentar acelerar o ritmo das conversas e tentar bater o martelo.

O Estado apurou que a cúpula são-paulina imagina ir um pouco mais longe e pagar até 30% a mais do que os R$ 10,7 milhões que caberiam ao Santos de acordo com a proposta oficial. Por essa estimativa, o teto da negociação poderia atingir algo em torno de R$ 15 milhões em dinheiro, fora a oferta de jogadores para compensar a diferença em relação ao preço pedido pelo Santos.

Pelo menos por enquanto, o presidente Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro não parece disposto a ceder e bate na tecla de que São Paulo e DIS podem se acertar o quanto quiserem mas a negociação só sairá se o Santos receber o valor integral da multa. As relações de Luis Alvaro com o grupo que administra a carreira do jogador são péssimas e ele frequentemente culpa o DIS pelo fracasso nas várias negociações para a renovação de contrato nos últimos dois anos. Os são-paulinos também acreditam que Luis Avaro pode ceder para se ver livre de um assunto que o vem incomodando muito.

O presidente santista, aliás, reagiu com ironia sobre a hipótese de receber em dinheiro menos do que o valor da multa (R$ 23, 8 milhões para o clube) mais um pacote de atletas.

"Eu não gosto de conversar sobre fatos futuros, mas se os dois jogadores forem Luis Fabiano e o Lucas eu topo já, na hora, mas não deve ser", disse em entrevista à Rádio Estadão/ESPN.

A resistência santista em se desfazer de um dos seus jogadores mais badalados era um cenário esperado no Morumbi. A expectativa é que pequenos fatos como o vazamento do entendimento entre as outras partes envolvidas pese para o desfecho positivo. O Santos deve dar uma nova posição nos próximos dias, provavelmente para voltar a negar a intenção de vender Ganso por um valor abaixo da multa.

Enquanto isso, o São Paulo estica a outra ponta da corda e conta com o tempo, a DIS e o próprio Ganso ao seu lado. O jogo está empatado.

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