São Paulo derrota Flu e ameniza clima ruim

Tricolor paulista faz 2 a 0 fora de casa em cima do atual campeão e dá 'vida nova' a Carpegiani, pressionado pela diretoria

Bruno Lousada, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2011 | 00h00

O técnico Paulo César Carpegiani respirou aliviado, ontem, com a vitória do São Paulo sobre o Fluminense, por 2 a 0, na estreia dos dois clubes no Campeonato Brasileiro. Com o resultado positivo em São Januário, que ameniza a crise instalada no Morumbi após a eliminação no Campeonato Paulista e na Copa do Brasil, o treinador, ameaçado de demissão, aparentemente ganhou sobrevida no cargo.

Numa medida incomum em sua carreira, Carpegiani avisou, antes de a bola rolar, que não falaria com a imprensa ontem. Mas, depois da partida, voltou atrás e concedeu entrevista. Durante os 90 minutos, ele teve um comportamento diferente dos últimos jogos. O treinador passou mais tempo no banco de reservas do que na área técnica. Ao contrário do que costuma fazer, não foi tão participativo.

Após a derrota para o Avaí nas quartas de final da Copa do Brasil, no dia 12, o São Paulo mergulhou numa crise. Carpegiani tem o trabalho questionado no clube, a torcida protestou recentemente no CT da Barra Funda com ovos e pipocas e, para completar a má fase, o atacante Luis Fabiano, contratado com status de ídolo, nem sequer estreou e já se contundiu.

O São Paulo enfrentou um Fluminense à espera do técnico Abel Braga, sem preparador físico titular (Ronaldo Torres pediu demissão) e sem o atacante Fred, vetado por causa de forte gripe. Talvez o time paulista esperasse um duelo mais difícil, até mesmo pela qualidade do atual campeão nacional.

Numa estreia marcada pela tensão, pois somente uma vitória daria paz para trabalhar, o São Paulo pisou no gramado de São Januário com a zaga reserva, pois Alex Silva e Miranda estão contundidos, e com uma formação extremamente cautelosa: com quatro volantes (Casemiro, Rodrigo Souto, Wellington, Carlinhos Paraíba) e o meia-atacante Lucas jogando mais à frente, ao lado de Dagoberto.

O primeiro tempo foi morno, com muitos erros de passe e várias faltas. O São Paulo desceu para o vestiário, no intervalo, com o placar favorável de 1 a 0 graças ao talento do trio Casemiro, Lucas e Dagoberto. Eles fizeram a diferença num clássico até ali equilibrado e sem tantos lances de perigo - exceção feita a um chute do meia Deco que passou rente à trave do goleiro Rogério.

Num rápido ataque que aliou técnica e visão de jogo, Lucas tocou para Casemiro, que deu belo passe para o veloz Dagoberto chutar de primeira e estufar a rede. Carpegiani comemorou discretamente, sem se levantar do banco. "Falei com meus companheiros que, se a bola não chegar, não vou conseguir jogar. Quando as bolas aparecem, fica mais fácil", disse Dagoberto, artilheiro da equipe em 2011 com 14 gols.

Tudo que o São Paulo queria era fazer 2 a 0 logo no início do segundo tempo e conseguiu. Lucas ganhou de Deco na corrida, passou por Gum, invadiu a área e finalizou com perfeição. Aí, sim, Carpegiani vibrou bastante e voltou a sorrir. Sabia que a fatura estava liquidada.

O Fluminense teve que partir para o tudo ou nada, facilitando a vida do São Paulo. A vitória poderia ter sido mais elástica, porém a trave impediu o segundo gol de Lucas. Rivaldo, com quem Carpegiani havia se desentendido recentemente, entrou nos minutos finais e nada fez.

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