São Paulo diz ter mandado ingressos para a FPF antes do sorteio de juiz

O São Paulo diz não temer a investigação do Superior Tribunal de Justiça Deportiva (STJD) sobre o caso de tentativa de manipulação de resultado do jogo contra o Goiás. A diretoria acredita que o inquérito pode dar-lhe força contra Marco Polo del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF) e agora desafeto do clube.Na avaliação dos dirigentes são-paulinos, a investigação irá mostrar que Del Nero agiu de má fé, pois atingiu o clube e também o árbitro Wagner Tardelli, que acabou não apitando o jogo de domingo, em que o time conquistou o hexacampeonato nacional. O principal indício, acreditam, está no protocolo de entrega do envelope com ingressos para o show da Madonna: a correspondência tem data de 1º de dezembro, segunda-feira. A escala de árbitros para a 38ª rodada do Campeonato Brasileiro, na qual Tardelli foi designado para a partida diante dos goianos, foi definida depois - o sorteio aconteceu no dia 3, às 14h40, na sede da CBF.O São Paulo alega que nunca negou o envio dos ingressos para a sede da FPF. De acordo com um diretor do clube, 11 entradas foram entregues à entidade paulista: sete para o vice-presidente Reinaldo Carneiro Bastos e quatro para Lilian Cardoso, secretária de Marco Polo. "No protocolo, além de assinar, ela ainda escreveu ?Muito grata?", contou o dirigente. O que causa inconformismo no São Paulo é que Del Nero teria esperado cinco dias para fazer a denúncia sobre a tentativa de corrupção. O presidente da FPF entrou em contato com o promotor José Reinaldo Guimarães na noite da sexta-feira e a CBF foi comunicada a respeito do assunto no sábado, quando tornou pública a questão.O prazo para a entrega de provas documentais ao STJD - como envelopes recebidos pela FPF tendo o São Paulo como remetente e protocolos de envio de correspondência do São Paulo para a FPF - terminou ontem. Até a próxima terça-feira, as partes têm de mandar ao Tribunal cópias de ligações telefônicas dos últimos 30 dias.Caso se comprove a tentativa de manipulação, o São Paulo pode ser suspenso de competições por até dois anos. Mas, se ficar claro que foi comunicado fato inverídico à CBF, Marco Polo del Nero pode ser suspenso por até 360 dias e a FPF, punida com multa de até R$ 10 mil.

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