São Paulo e Rio ficam com 60% dos investimentos

O balanço dos primeiros 15 meses da lei de incentivo ao esporte, divulgado ontem pelo ministro do Esporte, Orlando Silva, traz boas e más notícias. De janeiro de 2007 a dezembro de 2008, a captação de recursos junto a empresas cresceu no País mais de 600%, atingindo R$ 127 milhões, contra menos de R$ 20 milhões antes da lei. Mas 60% dos investimentos em projetos financiados com os novos recursos estão concentrados em São Paulo e no Rio - juntos, os dois Estados ficaram com mais de R$ 75 milhões. O ministro considerou os resultados "extremamente positivos" e justificou que a concentração de projetos no Sudeste ocorre porque a região detém mais empresas e maior capacidade de patrocínios. Mas reconheceu que há distorções na distribuição dos recursos e anunciou um plano para nacionalizar os benefícios da lei. Ele admitiu também que há privilégios nos esportes de alto rendimento, sobretudo os mais divulgados na mídia, em prejuízo de modalidades de pouca visibilidade. Para corrigir os desvios, Silva anunciou estratégia a ser posta em prática a partir de abril em todo o País. Consiste em realizar seminários regionais, qualificar gestores de programas esportivos nos Estados e estimular empresas e corporações a utilizar a lei. Está também programada agenda de visitas às entidades da indústria e do comércio nos Estados. O objetivo, segundo o ministro, é expandir a aplicação da lei aos diversos segmentos do empresariado e nacionalizar os projetos de incentivo aos esportes em geral, até mesmo aqueles voltados para a inclusão social. Sancionada pelo presidente Lula em dezembro de 2006, a lei permite que os patrocínios e doações para projetos esportivos sejam descontados do Imposto de Renda.

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