São Paulo empata o 'jogo do sono'

Partida com a LDU de Loja foi sofrível e só valeu pelo fato de o time, agora, poder se classificar até com um 0 a 0 no Morumbi

FERNANDO FARO, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2012 | 03h05

O resultado foi bom, mas a partida foi sofrível. Jogando um futebol abaixo da crítica, morno e sem nenhuma ousadia, o São Paulo empatou com a LDU de Loja por 1 a 1, no Equador, resultado que garante a vantagem de jogar por igualdade sem gols na partida de volta, no dia 24 de outubro. A situação poderia ter ficado ainda mais confortável, mas a equipe não soube administrar o placar depois de sair na frente.

Estudioso das táticas e fã de estratégias, Ney Franco às vezes erra a medida e perde a mão na tentativa de surpreender os adversários. Esperava-se uma equipe reforçada no meio com Wellington e armada para contra-atacar pelas laterais, mas o treinador resolveu manter a formação com três atacantes e improvisou sem necessidade Paulo Miranda na direita. Não foi preciso muito tempo para perceber que a ideia não seria das mais felizes. O adversário escolheu justamente o setor do camisa 13 para atacar e os homens de frente não podiam ser mais agudos pela falta de um marcador que guardasse posição no meio.

Fossem mais qualificados, os equatorianos teriam dominado facilmente o Tricolor, que se encontrava em estado de total letargia. Não dá para saber se os jogadores ainda estavam cansados da viagem, se achavam que ganhariam a partida tão logo resolvessem ou se estavam sem muito ânimo. Até mesmo os donos da casa se consideravam zebra - até a imprensa local tratou o duelo como um Davi contra Golias -, mas, à medida que não eram incomodados, passaram a acreditar que a vitória era possível e foram se lançando ao ataque.

O somatório não poderia dar resultado diferente. Lances sofríveis, pouquíssima emoção e a torcida para que tudo aquilo terminasse depressa. O gramado não era dos melhores e a chuva e o vento também prejudicaram, mas passam longe de ser desculpas aceitáveis para a baixa produtividade. A impressão é que, se estivesse focado para valer, o São Paulo não teria problemas em fazer valer sua superioridade técnica. Mas de nada adianta uma equipe com bons talentos individuais quando não estão ligados.

Em um cenário desses, gols só em lances fortuitos e por obras do acaso. Que o diga Osvaldo - este sim muito esforçado -, que abriu o marcador em lance em que tentou cruzamento, mas viu a bola resvalar em Bermúdez e morrer na rede adversária. Mesmo com a perspectiva do contra-ataque materializada, o panorama não mudou e o jogo seguiu morno. Aí foi a vez da LDU se aproveitar; o árbitro deu falta de Denilson no meio-campo. Na sequência da cobrança, Larrea acertou um belo chute colocado no ângulo e empatou. Foi só.

Confortável com o gol marcado fora de casa e pouco ameaçado pelo anfitrião, o que era ruim de se ver ficou pior. Os são-paulinos mostraram que era possível diminuir ainda mais o ritmo e conseguiram se superar na arte da burocracia e sono.

O Tricolor tem a vaga bem encaminhada para resolver em casa. Mas, se jogar como ontem, pode ser surpreendido.

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