São Paulo entra em crise e demite Muricy

Muricy Ramalho sucumbiu à pressão. Depois da eliminação para o Cruzeiro, nas quartas de final da Libertadores, quinta-feira, integrantes da diretoria do São Paulo forçaram sua saída junto ao presidente Juvenal Juvêncio, o único que ainda defendia sua permanência. Conseguiram. Depois de uma rápida reunião no início da noite de ontem, no Morumbi, o treinador e direção decidiram pela demissão. Abel Braga, atualmente sob contrato com o Al Jazira, dos Emirados Árabes, é o preferido da direção para o cargo. A equipe vai enfrentar o Corinthians, amanhã, sob o comando do interino Milton Cruz.Foi o quarto ano seguido que o clube perdeu para um adversário brasileiro na Libertadores. Em 2006, caiu diante do Internacional na final; no ano seguinte foi derrotado pelo Grêmio nas oitavas; e, em 2008, acabou derrotado para o Fluminense nas quartas. Em todas as ocasiões, diretores são-paulinos pediram a demissão de Muricy. Desta vez, conseguiram convencer Juvenal, que afastou pessoalmente o técnico.A convicção do máximo dirigente são-paulino esbarrava agora em fatores inexistentes no passado. Um desses é o descontrole emocional do time. Com as constantes improvisações e as reclamações públicas dos atacantes Washington, Borges e Dagoberto, que não conseguiam se manter no time, Muricy teve contestado o comando do elenco. O técnico tentou contornar a situação ao enquadrar os rebeldes, mas a incapacidade de fazer frente aos mineiros minou a sua permanência. A derrota por 2 a 0 diante do Cruzeiro, em uma atuação apática da equipe são-paulina, selou o destino do comandante. A pressão era grande. Não havia mais clima para ele permanecer.O próprio Muricy, horas antes da reunião que determinou o final de seu vitorioso ciclo no São Paulo - conquistou três títulos brasileiros, de 2006 a 2008, nos últimos três anos e meio -, já havia reconhecido que seria difícil permanecer sem apoio. "Se sentir que não estou agradando mais, vou embora", disse. Ninguém no clube estava disposto a pagar para ver se o treinador terminaria um ano com título outra vez.

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