Werther Santana/AE-13/11/2010
Werther Santana/AE-13/11/2010

São Paulo inicia novo ciclo na Paraíba

Clube volta ao torneio nacional após sete anos na Libertadores e conta com Lucas para eliminar o Treze no jogo de ida

Bruno Deiro, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2011 | 00h00

Clube mais vitorioso do País na última década, o São Paulo inicia nesta quarta-feira, sem entusiasmo, a busca pelo título inédito da Copa do Brasil. Contra o Treze Futebol Clube, às 22 horas, na Paraíba, o time do Morumbi inicia um novo ciclo e retorna à competição após sete anos - período em que disputou a Libertadores consecutivamente. Sem Rivaldo, poupado, aposta na volta de Lucas, que brilhou na conquista do Sul-Americano Sub-20 pela seleção brasileira, no Peru.

"Agora todo mundo me conhece um pouco mais. Tenho mais responsabilidades", admitiu o meia, autor de três gols na goleada do Brasil sobre o Uruguai (6 a 0) na final do torneio. "Estou preparado para jogar. O Carpegiani já conversou comigo e estou à disposição dele." Além de Lucas, o atacante Henrique e o volante Casemiro também se juntaram à delegação do Tricolor após a conquista em Arequipa - o zagueiro Bruno Uvini, outro são-paulino que servia à seleção sub-20, se recupera de lesão. Já o atacante Willian José ainda aguarda documentação para poder estrear.

A renovação do elenco e o duelo contra o Treze, clube da Série D do Brasileiro, fazem parte de um novo ciclo no São Paulo, que desde 2004 acostumou-se a priorizar a Libertadores no primeiro semestre. Na Copa do Brasil, o nível técnico dos rivais pode ser mais baixo, mas todos os duelos são mata-mata. E o campeão pode precisar de apenas 10 partidas, contra as 14 obrigatórias na Libertadores. "É uma competição curta e ao mesmo tempo muito difícil. Não podemos vacilar", diz Marcelinho Paraíba, que volta a jogar em Campina Grande, sua cidade natal - ele iniciou a carreira no Campinense.

Caminho fácil. O consolo para a torcida tricolor, frustrada pela ausência na Libertadores, é que a Copa do Brasil é a forma mais rápida de garantir o retorno ao torneio continental em 2012. E o caminho do São Paulo, na teoria, foi facilitado pelo chaveamento. Se fizer a sua parte, vai enfrentar outros favoritos como Flamengo, Palmeiras e Atlético-MG somente na decisão.

Para isso, a equipe de Carpegiani encara o Treze da Paraíba com o desafio de garantir passagem à segunda fase já no jogo de ida - basta uma vitória por dois gols de diferença na noite desta quarta, no Estádio Amigão, em Campina Grande. "A Copa do Brasil sempre tem alguma zebra e temos de ficar espertos nisso. Temos de estar ligados e muito concentrados", afirmou Juan.

Precaução. Ainda em busca da melhor formação defensiva, Carpegiani deve repetir o esquema com três zagueiros (Rhodolfo, Miranda e Alex Silva), usado na vitória sobre a Portuguesa (3 a 2) pelo Paulista. Se depender da confiança do Treze, é bom o Tricolor apostar em uma defesa sólida: o time paraibano não perde no Estádio Amigão desde julho de 2009, uma invencibilidade de 39 partidas. O rival de hoje poupou nove titulares pelo Estadual para o duelo. Os 20 mil ingressos colocados à venda estão praticamente esgotados.

Para lembrar. Em maio de 2003, quando disputou pela última vez a Copa do Brasil, o São Paulo tinha nomes respeitáveis no elenco. Além do ídolo Rogério Ceni e do pentacampeão Ricardinho, faziam parte do time Lugano, Júlio Baptista, Kaká e Luís Fabiano, que disputaram a última Copa do Mundo. Mesmo assim, o clube estava longe de seu melhor momento e a eliminação diante do Goiás, nas quartas de final, ampliou a crise no Morumbi. Com o chileno Roberto Rojas como técnico interino, a eliminação em casa no empate por 1 a 1 acelerou o desmanche da equipe - Kaká e Júlio Baptista sairiam dali a três meses. A melhor campanha do São Paulo na Copa do Brasil foi em 2000, quando perdeu a final para o Cruzeiro no Mineirão com gol nos minutos finais.

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