São Paulo já não consegue esconder atritos

Jejum de vitórias deixa o clima tenso entre direção, atletas e o técnico Muricy Ramalho

Giuliander Carpes, O Estadao de S.Paulo

29 de maio de 2009 | 00h00

Ninguém no São Paulo ousa admitir, mas a crise ronda o Morumbi. Tecnicamente, o time não consegue entusiasmar nem o torcedor mais fanático. Seu futebol, antes pragmático, agora não funciona. A equipe conquistou apenas uma vitória nos últimos oito jogos - não vence desde 22 de abril, quando bateu o América de Cali, por 2 a 1, na última rodada da fase de grupos da Taça Libertadores. Como se não bastasse o jejum de triunfos, a insatisfação parece estar espalhada por todos os escalões. Os mais incomodados são os jogadores. Depois da derrota para o Cruzeiro (2 a 1), Dagoberto reclamou. Disse que o time não está jogando bem e que os atacantes estão sendo sacrificados. "A bola não chega lá na frente", afirmou. Até membros da direção estão descontentes. O principal alvo é Muricy Ramalho. Na visão deles, o técnico tem improvisado demais em posições diferentes e, assim como nos últimos três anos, tarda a dar um padrão de jogo à equipe. A demora pode custar, pela quarta vez seguida, o título da Libertadores. O presidente Juvenal Juvêncio já manifesta inconformismo. "Não tivemos competência para buscar a vitória contra o Cruzeiro", opinou. O dirigente é o responsável por manter Muricy à frente do time mesmo com as derrotas na Libertadores nos últimos anos.Contudo, a eliminação nas quartas de final, aliada à má campanha no Brasileiro, seria a gota d?água para o presidente resolver mudar de ideia. "Temos de melhorar muito. Antes do jogo de volta na Libertadores, temos nove pontos para disputar no Brasileiro. Precisamos de uma posição majoritária em relação a isso." A indignação com a tendência de Muricy em insistir com as improvisações, mesmo quando tem peças originais de reposição, aumenta por causa de Hernanes. Joia mais cara do clube, o volante foi convertido em meia, deixou de ter a seu favor o fator surpresa contra as defesas e vem atuando mal. Nos últimos jogos, parece disperso, abatido, bem diferente daquele que recebeu da CBF o título de melhor jogador em 2008. A venda do camisa 10, com a qual o clube contava para amenizar as finanças, está difícil. Não há propostas. Só problemas.BORGES SE REVOLTABorges não aguenta mais a falta de reconhecimento no São Paulo. Artilheiro do clube na Libertadores - 5 gols -, o atacante ficou, de novo, na reserva diante do Cruzeiro, anteontem. No final da partida, desabafou. "Tenho feito de tudo para ter meu espaço. Faz dois anos que sou o artilheiro isolado da equipe na temporada, campeão brasileiro", afirmou, sem esconder a insatisfação. "Me preparei muito para fazer uma boa Libertadores, mas termino não jogando."Borges cogita até deixar o clube antes do final do contrato, em dezembro. "Vou conversar com meu empresário e com a minha família para ver o que é melhor", contou. "Não sei mais o que preciso fazer. Aprendi nesses dois anos e meio de São Paulo que se deve tomar cuidado com o que se fala. Mas uma coisa é clara: estou bem, sem problema nenhum, e fiquei fora por opção do treinador. Ando na rua e todo mundo pergunta o motivo de eu não jogar. É uma situação que incomoda."INGRESSOSA torcida do São Paulo esgotou os 40 mil ingressos promocionais (bastava trocar por um quilo de alimentos não perecíveis) colocados à disposição para o jogo de domingo, diante do Cruzeiro, pelo Brasileiro.

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