São Paulo perde o líder e o futebol

Seis partidas e apenas uma vitória, de 18 pontos disputados somente quatro entraram para a contabilidade do time, com pífios22% de aproveitamento em jogos importantes pelo Paulista,Libertadores e Campeonato Brasileiro. O ataque marcouseis e a defesa levou dez. Não parecem, mas são números doSão Paulo, tricampeão brasileiro, em nítida e reluzente má fase. É de se estranhar, pois havia sempre alguém no comando, nasala de controle. Cinco desses seis confrontos aconteceram sem Rogério Ceni.A contusão do goleiro trouxe uma nova realidade para dentrodo time, e parece ter escancarado a porta da enfermaria.Quer dizer, do Reffis, porque no São Paulo não há enfermaria, éoutro nível.Desacostumado a deixar o gol são-paulino nas mãos dos reservas,o goleiro experimenta um verdadeiro teste de paciência. Jamais houve um afastamento tão longo. Rogério está no DNA da equipe, nada acontece sem que o capitão participe ou influa. Muricy Ramalho não economiza palavras para afirmar que o único craque do São Paulo é seu goleiro titular. Não se trata de apenas uma questão técnica, de defesas sensacionais e gols de um dos maiores jogadores do São Paulo emtodos os tempos. O time se abate sem seu líder, aquele sujeitoque transmite confiança, que já ganhou muito e mesmo quandotudo parece perdido mantém a tranquilidade. O futebol e feitodisso, assim como o caráter dos líderes, dos diferenciados, rarosno mercado. Do que e feita a trajetória de um goleiro? E possível definir aposição mais delicada do tabuleiro do jogo com a palavra confiança. E todo o peso de seu significado, que somente um arqueiro, um guarda-redes, um goalkeeper é capaz de entender.Rogério já se fundiu com a historia de seu clube. Competente,institucionalizado, e um líder na sua totalidade. Além de ser respeitado pelo que joga, comanda o grupo pelo sentido queexprime a sua profissão. A contusão mais séria de sua vitoriosa carreira não deve ser vista como o início da má fase do time, mas ha, no mínimo, uma terrível coincidência. Sem dúvida, e uma agravante. Mas tudo pode mudar, desde que o futebol consistente, objetivo, com alternativas táticas seja retomado. O oposto do que se viu, por exemplo, no empate de ontem diante do Atlético Paranaense, em pleno Morumbi. Um 2 a 2 com incrível gostinhode vitória.Havia muitos desfalques além de Rogério. Sem André Dias, Rodrigo, Renato Silva e Jean, ate mesmo um elenco poderoso acaba se complicando defensivamente, temperando a fase ruim, como a de Washington, que completou seis partidas sem marcar gol.Mesmo num cenário como esse, deve-se levar em conta que o gol de Andre Lima, que configurou o 2a 2, o placar final, aconteceu com o atacante em posição de impedimento. Pior: as tao propaladas bolas paradas, as letais jogadas ensaiadas do time de Muricy Ramalho, trocaram de lado, foram o veneno do Atlético, que marcou seusdois gols em lances tao comuns ao adversário.Num Campeonato longo como o Brasileiro, ama fase pode ser diluída no sistema de pontos corridos, como no ano passado. Mas para quem olha para o mata-mata da Libertadores e enxerga o Cruzeiro, no dia 27, os próximos dias serão decisivos para os planos de uma equipesem confiança e desfalcada de seu líder.

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