São Paulo podia golear. Só empatou

Time desperdiça muitas chances, fica no 1 a 1 com a Universidad Católica, no Chile, mas está mais perto da final do torneio

GONÇALO JUNIOR, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h13

Se o São Paulo tivesse aproveitado todas as chances que criou, teria voltado de Santiago praticamente classificado para a final da Copa Sul-Americana. Mas, como a partícula condicional "se" não entra em campo, a equipe paulista só empatou com a Universidad Católica por 1 a 1 na primeira partida das semifinais.

Na próxima quarta-feira, no Morumbi, poderá empatar por 0 a 0 para se classificar. Empate com dois ou mais gols dará a vaga aos chilenos. Como consolo para os são-paulinos, ficou apenas o gol marcado fora.

Não houve a pressão inicial que o técnico Martin Lasarte havia prometido. A culpa não foi dos 15 mil torcedores que lotaram o Estádio San Carlos de Apoquindo. E sim dos atacantes, que se livravam logo da bola e finalizam de fora da área, como o chute de Pizarro que foi parar no pé das Cordilheiras dos Andes, o cartão-postal da cidade, aos 32 minutos. Com lances assim, não há caldeirão que ferva.

A Universidad é um time que não tem paciência para tocar a bola, gosta de queimar etapas e pular da defesa para a área adversária. É uma saída para escamotear a limitação técnica dos zagueiros e dos volantes, que adoram dominar de canela. Quando apertados, confessam, como diziam os narradores das antigas. Está explicado por que o time é a pior defesa do torneio e está em nono no Campeonato Chileno.

Além das dificuldades na saída de jogo, os chilenos marcam a bola. Assim, assistiram a uma jogada improvável: o zagueiro Rhodolfo cruzou para o outro defensor, Rafael Toloi, que fez 1 a 0, aos 21 do primeiro tempo.

Daquele time arrumadinho de 1993, que perdeu a final da Libertadores para o próprio São Paulo e tinha apreço pelo jogo vistoso e pela jogada articulada, a equipe chilena traz apenas a memória de um tempo bom. O São Paulo aproveitou todas essas limitações e teve seus méritos.

Forçou o jogo em Osvaldo pela esquerda em cima de um atabalhoado Martínez e conseguiu calar o estádio em três chances claras, duas na etapa inicial e uma no segundo tempo, logo aos 11. O goleiro Toselli impediu o placar esticado. Osvaldo poderia - e deveria - ter caprichado mais. O São Paulo poderia ter definido o jogo aí, só nos pés dele.

Jadson também teve liberdade. Acertou um tirombaço aos 5 minutos, que bateu na parte interna do travessão. Faltou Luis Fabiano deixar de lado as picuinhas com Parot e jogar bola.

A conta dos gols perdidos chegou aos 24. Castillo deixou Rhodolfo deitado e conseguiu um empate improvável.

Ney Franco sentiu o golpe, fechou a cara e colocou Ganso no lugar de Lucas que, apesar da gripe, foi um dos melhores em campo pelas arrancadas e dribles de torcer a espinha. Ganso tocou de lado e colocou água na pressão chilena - fervura que o próprio São Paulo, com seus inúmeros erros de finalização, deixou borbulhar em Santiago.

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