Dylan Martinez/Reuters
Dylan Martinez/Reuters

São Paulo recebe GP Brasil com atletas em busca da 'adrenalina das competições'

Competição de atletismo será a primeira de diversos atletas desde o início da pandemia de covid-19

Leandro Silveira, O Estado de S. Paulo

06 de dezembro de 2020 | 08h00

"Sentir o que é uma competição novamente". Em uma temporada afetada diretamente pela pandemia do coronavírus, será com esse espírito que os atletas vão participar neste domingo, no GP Brasil, a partir das 13h10, em São Paulo. O evento, no Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, na Vila Clementino, faz parte do World Athletics Continental Tour Silver 2020.

A competição terá várias atrações como Darlan Romani no arremesso de peso, Rosângela Santos e Vitória Rosa nos 100 metros, além de Paulo André, Aldemir Gomes, Felipe Bardi dos Santos e Rodrigo Nascimento na versão masculina da prova e de Augusto Dutra no salto com vara.

O evento é praticamente o primeiro meeting internacional de todos os atletas inscritos na temporada 2020, em função da pandemia do coronavírus, o que, inclusive, provocou o adiamento dos Jogos de Tóquio para 2021. De março para cá, os atletas precisaram mudar seus planos e improvisar treinamentos para não ficarem completamente parados em um ano que seria para muitos o do auge na carreira, a participação na Olimpíada.

Paulo André, por exemplo, não participou de nenhuma competição em 2020, treinando em Vila Velha (ES). Neste domingo, então, fará a sua estreia na temporada. Mais do que obter um resultado expressivo, ele quer voltar a sentir a adrenalina das competições, para até ampliar a motivação visando os treinos.

"Quero sentir o que é uma competição novamente. Faz mais de um ano que não sinto a adrenalina e o clima da competição. É importante para sentir essa energia. E voltando com uma competição internacional, com três estrangeiros inscritos nos 100m é importante. Voltar a competir é um passo gigantesco para nós. É bom até para me motivar mais para os treinamentos", disse Paulo André.

Após uma temporada marcante em 2019, quando fechou o ano em quarto lugar no arremesso de peso, Darlan Romani precisou improvisar nos últimos meses para continuar treinando. Assim, o GP Brasil é visto como uma oportunidade para retomar a competitividade.

"A competição se insere como uma retomada. É um GP internacional, então teremos algumas atrações de fora. Voltamos a competir em um ambiente internacional, mesmo no nosso país, tendo contato com outras pessoas, até para saber como estão se preparando", afirmou Darlan, em janela com a imprensa na véspera da competição.

É um objetivo semelhante ao de Vitória Rosa, que vinha treinando em São Paulo antes da pandemia, mas acabou retornando ao Rio diante da crise sanitária. "O GP é uma competição para voltar à nossa realidade. Gosto muito de competições fortes, estava sentindo falta da agitação", acrescentou Vitória Rosa.

A velocista, que tem índice para ir à Tóquio, quebrou a falta de ritmo na quarta-feira, quando participou do Torneio de Atletismo Paulista, em Campinas, completando a disputa dos 100m em 11s31. “Mesmo com todos os problemas da temporada, estou me sentindo bem e quero correr melhor no GP e no Troféu Brasil", acrescentou, citando também a competição marcada para a próxima semana.

Tricampeão dos 100 metros no Troféu Brasil, Paulo André compete em São Paulo em um período de treinos intensos, com o foco em atingir o auge na Olimpíada - ele já obteve o índice para Tóquio. Mas garante que será competitivo neste domingo. A disputa contará, ainda, com três estrangeiros: o dominicano Yancarlos Martinez, o turco Emre Zafer Barnes e o colombiano Diego Palomeque.

"Estou em um período muito intenso de treinos, não é o ideal para conseguir o melhor resultado. Agora é retomar, após muito tempo sem competir", disse. "Tenho velocidade guardada em mim. De repente posso surpreender a mim mesmo. Fiz um pedido especial para o meu treinador (o pai Carlos Camilo) para participar do GP", acrescentou. "O meu planejamento não é para agora, quero chegar bem na Olimpíada, então não podemos precipitar", justificou.

O GP Brasil, disputado sem a presença de público, reunirá 153 atletas de 17 países em 21 provas.

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