São Paulo sem grande ambição na estréia

Em má fase, time se satisfaz se voltar de Medellín com empate

Giuliano Villa Nova, O Estadao de S.Paulo

27 de fevereiro de 2008 | 00h00

O São Paulo aposta em sua tradição para estrear bem na Taça Libertadores hoje, contra o Nacional de Medellín, às 21h45 (de Brasília), no Estádio Atanásio Girardot, na Colômbia. Será o jogo de número 120 dos são-paulinos no torneio. Diante da fase conturbada que atravessa, o time do técnico Muricy Ramalho se dará por satisfeito se voltar para casa com um empate. Parece pouco para o clube brasileiro mais vitorioso na competição - já ganhou três vezes, além de ter chegado a outras três finais -, mas o retrospecto pode motivar a equipe a superar a falta de entrosamento, os desfalques e a pressão. "O time está devendo futebol", diz Muricy. Acompanhe online todos os lances da estréia do São Paulo na LibertadoresDesde o início do ano, deu tudo errado no planejamento são-paulino. A comissão técnica esperava que a equipe tivesse recuperado o conjunto após 11 jogos no Campeonato Paulista, mas, além de a escalação não ter sido repetida nenhuma vez, em razão das suspensões e contusões, reforços como os de Fábio Santos, Juninho e Joilson não supriram a saída de nomes importantes, casos de Breno, Leandro e Souza. Nem o centroavante Adriano tem correspondido às expectativas.Para piorar, as seguidas más apresentações e tropeços no Estadual - que tiraram o São Paulo do bloco dos quatro melhores classificados - põem em xeque a confiança dos próprios jogadores. "Não mostramos um futebol convincente e é normal que o torcedor duvide desse time", pondera o goleiro Rogério Ceni.MOTIVAÇÃOInternamente, porém, o elenco se compromete a encarar a Libertadores de outra forma. "Não tem nada a ver com o Paulista, o clima das partidas, a arbitragem e a vontade de jogar são totalmente diferentes", explica o zagueiro André Dias. "Sabemos que essa é a competição mas importante do ano para o clube e os torcedores."A disposição para encarar os adversários sul-americanos reforça o favoritismo atribuído pelos rivais - até o argentino Riquelme, do Boca Juniors, considera os são-paulinos como candidatos ao título. Mas a falta de opções no elenco - a diretoria reconhece as carências do meio-campo e do ataque - impede a empolgação. "Diante do equilíbrio do torneio, é possível brigarmos pelo título, mesmo com um time mais modesto, como fez o Grêmio, que não tinha nenhum craque em 2007", opina Marco Aurélio Cunha, superintendente de Futebol.O problema é que os gaúchos perderam aquela decisão. E terminar a temporada sem ganhar a Libertadores pode revoltar os torcedores, que não esqueceram a derrota na final de 2006 para o Internacional e a queda nas oitavas-de-final diante do Grêmio, no ano passado. "Nossa torcida vai querer mais do que o título brasileiro neste ano", reconhece Muricy.A preparação para o jogo também foi tumultuada. O elenco - sem Aloísio e Dagoberto, lesionados - viajou para a Colômbia, ontem, em vôo fretado, com mais de duas horas de atraso, pois demorou para conseguir autorização para pousar em Medellín. Com isso, o treino de reconhecimento do gramado foi cancelado. ADVERSÁRIO ENFRAQUECIDOAssim como o São Paulo no Brasil, o Atlético Nacional é o atual bicampeão da Colômbia. Mas, ao contrário do time paulista, perdeu muitos jogadores que estiveram no grupo no ano passado e pouco se reforçou. Ocupa apenas a 10ª colocação no torneio , com 6 pontos (em cinco jogos), mas está empolgado por ter vencido o clássico contra o Independiente Medellín, na última rodada. Outro time brasileiro joga hoje. Embalado pela conquista da Taça Guanabara no último domingo, o Flamengo recebe o Cienciano, do Peru, no Maracanã, às 21h50. Na estréia, os rubro-negros empataram por 0 a 0 com o Coronel Bolognesi .

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