São Paulo só funciona com cobranças

Time obtém bons resultados quando o presidente Juvenal Juvêncio critica os jogadores

Marcius Azevedo, O Estadao de S.Paulo

18 de setembro de 2008 | 00h00

Muricy Ramalho costuma repetir nas entrevistas que, só pelo fato de jogarem no São Paulo, seus atletas precisam estar sempre motivados. Na prática, o discurso não funciona. Prova disso é que no atual Brasileiro o time só rendeu o que se esperava ao ser pressionado. E não foi apenas o treinador que precisou pegar pesado com o elenco.O presidente Juvenal Juvêncio teve de intervir em pelo menos três oportunidades. Chegou a oferecer premiação em dinheiro para a equipe reagir. Deu certo. A primeira aparição do dirigente foi antes do jogo contra o Atlético-MG, em junho. Ele foi ao CT, conversou com o elenco e prometeu pagar R$ 300 mil para dividirem se conseguissem três vitórias consecutivas. Dito e feito: 5 a 1 sobre o os mineiros, 4 a 2 no Flamengo e 1 a 0 contra o Sport.Depois disso, o time empatou com o Cruzeiro em Belo Horizonte, tropeçou contra o Ipatinga no Morumbi e perdeu para o Náutico no Recife. Aí lá foi novamente Juvenal conversar com os jogadores antes do clássico contra o Palmeiras. Além de cobrá-los, o presidente, mais uma vez, ofereceu dinheiro, agora R$ 120 mil. O São Paulo venceu o rival por 2 a 1 e depois ainda bateu Vitória e Botafogo.A última visita do presidente foi na semana passada, antes da vitória e da boa atuação da equipe contra o Flamengo. "O Juvenal não conversa sempre com os jogadores, mas, sempre que faz, é em um momento oportuno", afirmou o diretor de futebol, João Paulo de Jesus Lopes. "Não é fácil lidar com jogadores", acrescentou. "Para o time andar bem, na minha opinião, são necessários três aspectos: preparação, talento e motivação. Os dois primeiros nós temos aqui no São Paulo, então tivemos de buscar o terceiro de outra maneira."Mas não foi apenas Juvenal que teve participação importante na reação da equipe. Muricy também conversou sério com o elenco. "Ele foi sincero. Falou o que todos estavam pensando e não queríamos comentar", afirmou o volante Zé Luís. "Disse para não olharmos para o lado e sim para nós mesmos, vermos o que cada um poderia dar a mais", comentou. "O time precisava de um chacoalhão. Não sei se é acomodação a palavra correta, mas foi importante essa conversa."A reunião provocou cobrança no grupo. "Tínhamos ciência de que não estávamos apresentando bom futebol e resolvemos mudar nossa postura em campo", admitiu o zagueiro Miranda. "A conseqüência foi um time mais forte contra o Flamengo." Agora, o São Paulo não quer saber de nova recaída. E usa a seleção brasileira como exemplo. "Eles venceram bem o Chile e depois empataram com a Bolívia no Engenhão. Temos de manter a pegada contra o Sport (domingo, no Recife)."

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