São Paulo tenta evitar que Lucas se deslumbre

Direção não quer falar em prorrogação do contrato e limita entrevistas.[br]O santista Neymar é usado como Referência

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2010 | 00h00

A troca do apelido Marcelinho para nome de batismo Lucas foi apenas o primeiro ato da diretoria são-paulina para proteger o garoto de 18 anos. A preocupação dos cartolas vai além de evitar comparações com o eterno ídolo corintiano. Querem é uma transição sem traumas. A velocidade com que subiu para o profissional e hoje, nas palavras do capitão Rogério Ceni, se tornou peça fundamental, também pode derrubá-lo. Ninguém no São Paulo quer ver o sucesso repentino fazer o garoto se deslumbrar e tomar atitudes que possam prejudicar sua imagem - como está acontecendo com Neymar, que sofre com a fama e, com frequência, tem sido notícia por não se comportar de maneira correta.

Coincidentemente, os dois têm suas carreiras administradas pelo empresário Wagner Ribeiro. A interferência no São Paulo, no entanto, é menor. Pelo menos é o que garante o vice-presidente de futebol Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. "O Wagner me ligou algumas vezes depois da Copa São Paulo, em janeiro, dizendo que o menino era um craque e que tinha de subir. Eu falei para esperar, ele queria se precipitar", relatou Leco.

Lucas, então Marcelinho, só recebeu uma chance depois que Ricardo Gomes deixou o clube em agosto. Mas, em 11 jogos, conquistou a torcida, principalmente pela atuação contra o Palmeiras, domingo (vitória por 2 a 0).

Agora a diretoria não quer vê-lo em programas de televisão. A assessoria de imprensa ficou irritada porque Lucas acabou fazendo uma matéria na casa de seu pai ontem. A preocupação é tão grande que ele foi proibido de participar de um evento da patrocinadora do clube. A camisa 10 que o garoto pleiteia também vai ficar vaga. Por enquanto, Lucas permanece com a 37.

E o contrato do meia, que termina em 2013, não será modificado. "Ainda não é o momento de tratar disso. Claro que o contrato passará por momentos de análise e revisão, mas não será agora", garantiu Leco.

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