São Paulo tropeça nos próprios erros e dá adeus à final

Equipe tricolor tinha o jogo sobre controle, mas falha em dois lances de bola parada e permite o Coritiba vencer por 2 a 0

FERNANDO FARO, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2012 | 03h07

Não foi dessa vez. Nem mesmo o bom primeiro tempo foi capaz de levar o São Paulo à final da Copa do Brasil. A equipe falhou quando não podia, foi derrotada por 2 a 0 pelo Coritiba no Couto Pereira e dá adeus a uma competição cujo título jamais conquistou e era visto como obrigação pela diretoria.

Ao contrário do que aconteceu no duelo de ida, o Tricolor se apresentou com mais tranquilidade e não se impressionou com o "Inferno Verde" proporcionado pela torcida paranaense. A pressão vinda das arquibancadas inflamou os donos da casa, que cumpriram à risca o script de quem precisava reverter um tropeço fora de casa e partiram para o ataque desde o começo. Mas Emerson Leão se antecipou e escalou o time com Rodrigo Caio, volante de origem, no lugar de Douglas. A ideia era neutralizar os avanços de Rafinha, que não jogou no Morumbi pela lateral. Mesmo improvisado, o garoto fez o que se esperava e fechou uma das principais portas ofensivas do rival. No mais, Denilson colou em Everton Ribeiro e Casemiro subiu menos do que de costume.

O Coritiba acusou o golpe, começou a se ver sem opções para atacar e foi ficando nervoso à medida que suas investidas esbarravam na barreira defensiva imposta. O cenário são-paulino parecia cada vez mais favorável por causa dos muitos espaços livres para trabalhar a bola no meio. Por diversos momentos, Jadson e Cícero puderam caminhar sem serem incomodados e Lucas infernizava Lucas Mendes pela ponta. Faltava, porém, pontaria, pois as chances apareceram. A equipe jogava como manda o figurino do bom visitante.

A chuva deixou o campo pesado e os erros de passe deixaram o jogo truncado. Seria preciso um lance isolado ou uma desatenção defensiva para alterar o cenário para qualquer um dos lados. Pois as duas possibilidades se juntaram quando Emerson apareceu no meio da zaga e ganhou no alto de Rhodolfo, de 1,93m, para abrir o placar em rápida cobrança de escanteio. Nem mesmo o gol abateu o Tricolor, que continuou trocando passes e evitando a afobação. Havia razões para acreditar, pois o Coritiba dava espaços ao adversário.

Só que a velha falta de padrão Tricolor voltou a aparecer e o time passou a apostar apenas na velocidade de Lucas e Luis Fabiano não conseguia aproveitar as chances que apareciam. A displicência cobrou seu preço aos 16 minutos da etapa final, quando Everton Ribeiro se aproveitou de falha de posicionamento da zaga para, sozinho, cabecear no contrapé de Denis e dar o golpe de misericórdia.

Sem a possibilidade dos pênaltis, restou partir com tudo para cima e deixar a defesa escancarada à espera dos previsíveis contra-ataques. Jadson e Casemiro foram substituídos pelos também inoperantes Fernandinho e Maicon, que pouco acrescentaram. O camisa 12 ao menos tentou dar mais velocidade ao time pelo lado esquerdo, mas sua famigerada jogada de levar ao fundo e cruzar rasteiro falhou.

O relógio foi correndo tranquilamente para os minutos finais enquanto os donos da casa tentavam valorizar a posse de bola e o Tricolor jogava na base da valentia e da superação. Foi pouco. A equipe volta para casa eliminada e com o sonho do título inédito e retorno à Libertadores adiados. Resta o Campeonato Brasileiro e a certeza de que não são só as individualidades que podem levar uma equipe ao título. O Coritiba se classificou pelo que apresentou nas duas partidas e vai para sua segunda final consecutiva com todos os méritos. Emerson Leão precisará mostrar resiliência nos próximos jogos se não quiser ver sua vida no Morumbi abreviada. A realidade veio com um duro golpe, resta saber se haverá tempo de evitar uma crise.

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