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São Paulo vira a capital mundial do skate e atrai melhores da modalidade

Cidade recebe as duas principais competições do calendário de Park e Street com pontos importantes na corrida olímpica

Daniele Bellini e Paulo Favero , O Estado de S. Paulo

Atualizado

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Nas próximas duas semanas São Paulo será a capital internacional do skate com as competições mais importantes do ano: o Mundial de Park, entre esta segunda e domingo, no Parque Cândido Portinari, e o Mundial de Street, entre os dias 18 e 22, no Anhembi. Os dois eventos vão dar aos campeões 80 mil pontos na corrida olímpica, a maior pontuação do ano, além do título de melhores do mundo em cada modalidade nas categorias feminina e masculina.

Para se ter uma ideia, outras competições do nível Pro Tour premiam os ganhadores com 60 mil pontos, quantidade menor do que as dos vice-campeões mundiais, que somam 64 mil. Um campeonato cinco estrelas soma 40 mil pontos aos primeiros colocados, quase a mesma dos skatistas que ficarem na quarta posição dos Mundiais. Em campeonatos nacionais os vencedores ganham 3.330 pontos, que é a mais próxima de quem ficar no 21.º lugar nos Mundiais.

“Nunca dois Mundiais foram no mesmo país em modalidades diferentes. E, ainda mais, na mesma cidade e em semanas consecutivas”, explica Eduardo Musa, presidente da Confederação Brasileira de Skate (CBSk). “A luta para trazer esses campeonatos foi muito importante para os atletas poderem competir em ambientes conhecidos, mas também pelo fomento e divulgação do esporte, para as pessoas entenderem todo o processo olímpico em torno do skate.”

O atual campeão do mundo no Park é o brasileiro Pedro Barros. Um dos favoritos ao título, ele destaca a importância de o campeonato ser realizado no Brasil. “Esse movimento maior que estamos tendo é muito legal porque incentiva mais pessoas a praticarem o skate. Se pelo menos uma criança assistir à gente na pista e começar a andar, já terá valido a pena”, diz.

Número sete do mundo no Park, Yndiara Asp acredita que ter a família e os amigos torcendo de perto será um grande incentivo. “São eles que me ajudam no dia a dia e poder abraçá-los depois da competição é muito legal. Eu espero que todos gostem de competir aqui. Nosso País tem um calor humano que é muito especial e quero que todos se sintam bem”, avisa.

A seleção brasileira de Park estará em peso na competição, com Luizinho Francisco, Isadora Pacheco, Murilo Peres, Dora Varella, Hericles Fagundes, Victoria Bassi, Pedro Quintas e Letícia Gonçalves. “Sempre que a gente compete no Brasil, entramos com mais garra, com mais vontade. Isso é uma coisa que coloca a gente para cima. Se você não souber absorver bem essa energia, acaba se tornando uma pressão. É muito importante este campeonato no Brasil, porque é diferente do mundo inteiro, onde somos os ‘de fora’ e não tem muita gente para passar energia. Então, é especial competir aqui”, diz Murilo.

O atleta também acredita que o evento é importante para incentivar a modalidade no Brasil. “Quando temos um campeonato desse nível, a cena cresce, seja para as pessoas que estão lá prestigiando, seja para os competidores terem uma visão do quanto os brasileiros estão torcendo pela gente”, comenta.

No Mundial de Street estão confirmadas Pamela Rosa, a número um do ranking, Rayssa Leal, segunda, e Letícia Bufoni, quarta. Outros nomes de peso que estarão em São Paulo são a australiana Hayley Wilson, terceira do ranking olímpico, e a japonesa Aoki Nishimura. Na lista masculina, destaque para o brasileiro Kelvin Hoefler, com cinco títulos mundiais no currículo. “Certamente virão os melhores do mundo e também muitos que estarão em Tóquio em 2020”, diz Kelvin.

MUNDIAL DE PARK

O Mundial de Skate Park vai receber cerca de 150 competidores. Entre os atletas internacionais estarão Heymana Reynolds (EUA), Cory Juneau (EUA), Misugu Okamoto (JAP) e Sakura Yosozumi (JAP). Uma das presenças mais curiosas é do americano Shaun White. O tricampeão olímpico de Inverno no snowboard halfpipe quer tentar a vaga olímpica no skate. No feminino, a britânica Sky Brown, de 11 anos, é um dos destaques.

DUAS PERGUNTAS PARA PEDRO BARROS

1. Como é competir no Brasil?

O skate já tem um reconhecimento muito grande fora do país, e agora estamos trazendo isso para o Brasil também. É muito legal as pessoas estarem conhecendo e entendendo melhor sobre o skate. Para nós como atletas é bem importante. O skate é a nossa essência, os valores do skate são os melhores possíveis, temos muita amizade e parceria nas pistas. Então é muito bom competir e inspirar mais pessoas.

2. E a visibilidade mundial? Os atletas gostam de competir aqui? Acham importante vencer no Brasil?

O skate tem essa peculiaridade. A gente quer acertar as manobras. E quer os amigos acertando também. E quem tiver a melhor nota vai vencer. A gente não torce um contra o outro, pelo contrário. Fazemos de tudo para que todo mundo ande bem. Então é importante vencer no Brasil sim, mas também é importante viver o skate onde eu estiver. Essa é a minha filosofia de vida. Vou buscar acertar a minha linha e vencer é consequência.

SERVIÇO

Mundial de Park

Local: Parque Cândido Portinari (Av. Queiroz Filho, 1365 - São Paulo).

Quando: De 9 a 15 de setembro.

Entrada gratuita

 

MUNDIAL DE STREET

O Mundial de Skate Street terá em torno de 70 atletas, que irão competir em uma pista construída especialmente para o torneio, no Pavilhão de Exposições do Anhembi. Os principais nomes da modalidade estarão em São Paulo para a competição.

DUAS PERGUNTAS PARA KELVIN HOEFLER

1. Como é competir no Brasil? 

Competir em casa sempre traz uma pressão maior, mas o calor da torcida me deixa confortável. Gosto muito disso. Não conheço a pista porque cada evento é um traçado novo, mas sempre foco em entrar na pista e fazer o meu melhor.

2. E a importância para incentivar a modalidade no país?

Trazer esses eventos para o Brasil é muito importante. Tivemos essa experiência em janeiro, no Rio, e foi muito positivo. Com certeza também será em São Paulo, um polo de skate importantíssimo. Competições sempre ajudam a inspirar novos praticantes e trazer gente nova para o esporte.

SERVIÇO

Mundial de Street

Local: Pavilhão de Exposições do Anhembi (Avenida Olavo Fontoura, 1209 - São Paulo).

Quando: De 18 a 22 de setembro (somente os dias 21 e 22 de setembro serão abertos ao público).

Horário: Abertura dos portões às 13h, nos dias 21 e 22 de setembro.

Ingressos: Site da Eventim.

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Dora Varella concilia último ano na escola com corrida olímpica no skate

Atleta de 18 anos se desdobra entre os livros, treinos e preparação para disputar os Jogos de Tóquio, em 2020

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2019 | 04h36

O último ano do ensino médio é considerado o mais estressante para os jovens. Imagine conciliar isso com a tentativa de se classificar para os Jogos Olímpicos. É por essa situação que está passando Dora Varella, uma das principais skatistas do Brasil e que disputará nesta semana o Mundial de Park. A garota de 18 anos pretende terminar a escola ao mesmo tempo que busca pontos para o ranking em competições ao redor do mundo.

"Tenho de estudar no avião, nos hotéis, quando volto para a escola preciso repor as aulas e fazer as provas que perdi. Às vezes acaba fazendo dois bimestres em um, mas estou conseguindo conciliar e tenho de treinar também. Então saio da escola, faço preparação física, tenho fisioterapia, depois vou direto para a pista e fico a tarde inteira, depois de noite eu estudo. É bem corrido, mas tudo vale a pena", diz.

Dora conta com a compreensão da escola para não perder competições no exterior. Aproveita o sistema de aulas por vídeo e de apostilas para recuperar parte do conteúdo. Depois, quanto retorna ao Brasil, se esforça para acompanhar a turma. Suas notas não têm sido um problema e até por ir bem na escola consegue se dedicar a sua grande paixão. "O objetivo principal é ir para a Olimpíada e conseguir uma medalha. Estou treinando para isso e o foco é o skate. Mas preciso terminar a escola porque isso é muito importante. A vida de atleta é bem curta."

Ela sabe que um cotidiano tão corrido não permite que ela tenha uma vida como a de outros jovens de sua idade. Mas ela garante que consegue lidar com os estudos, vida profissional e social. "Eu sempre consigo um tempo para a família e amigos. Não é tanto quanto eu gostaria, mas também encontro amigos na pista de skate, na escola, e estou sempre com minha família. Não abro mão, apenas não consigo sair tanto quanto os outros jovens", explica.

Seu grande trunfo para o Mundial de Skate Park, que começa nesta segunda-feira em São Paulo e vai até o domingo, é conhecer bem o local da disputa. Como mora na cidade, ela costuma praticar bastante na pista que fica no Parque Cândido Portinari, na zona oeste da cidade, e não vê a hora de poder competir e lutar pelos 80 mil pontos que são dados para o campeão do evento.

"Treinei bastante lá durante um mês inteiro, estou bem animada e feliz com o que fiz, e tenho certeza de que vou dar meu melhor e me sair muito bem. Ainda tem vários campeonatos até a Olimpíada. Por enquanto estou em 14º lugar no ranking e vão as 20 mais bem colocadas, com um limite de três por país. Então se fosse amanhã, estaria dentro. Mas ainda tem um longo caminho, espero ir cada vez melhor e subir mais no ranking", conta.

Sua expectativa é grande, ainda mais porque poderá ter uma grande torcida particular na disputa. "Estou convidando todo mundo para vir assistir. Gosto bastante da energia dos brasileiros no campeonato, conheço muita gente que vai vir assistir. Isso ajuda na hora do campeonato. Essa é uma pista que sempre andei, perto de casa, e vai deixar tudo mais especial. Espero que mais pessoas gostem de skate, que aprendam a andar, que as famílias venham e os filhos queiram aprender a andar. É um esporte divertido", lembra.

 

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Brasil poderá ter até 12 atletas do skate nos Jogos Olímpicos de Tóquio

Mais bem ranqueados nas categorias Park feminino, Park masculino, Street feminino e Street masculino participarão da competição ano que vem

Daniele Bellini e Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2019 | 04h33

Os skatistas mais bem ranqueados no período entre janeiro de 2019 e maio de 2020 participarão dos Jogos Olímpicos de Tóquio no próximo ano. O Brasil poderá disputar medalhas com até 12 atletas, divididos da seguinte maneira: três no Park feminino, três no Park masculino, três no Street feminino e três no Street masculino.

A presença brasileira com o número máximo de competidores vai depender do desempenho dos skatistas ao longo das duas janelas classificatórias estabelecidas pela World Skate para a corrida olímpica. Eduardo Musa acredita que o País conseguirá levar a quantidade máxima. “A posição dos atletas brasileiros é muito boa. Temos 19 atletas entre os 80 do mundo nas quatro vertentes de classificação para a Olimpíada”, explica o presidente da CBSk. 

Mesmo os dois Mundiais somando grande quantidade de pontos, Musa diz que não é possível ainda apostar qual pontuação garante um atleta nos Jogos. “Após esses Mundiais termina a primeira janela de classificação e não dá para cravar que alguém já estará classificado. A segunda janela tem mais competições, que vão somar cinco notas, contra apenas duas da primeira janela. Então, está muito cedo para definir algo.”

Rayssa Leal, segunda colocada no ranking do Street, tem 11 anos e se conseguir a classificação para os Jogos Olímpicos terá apenas 12 anos em Tóquio. “Quero bater muitos recordes na carreira. Este ano já bati um por ser a mais nova a vencer uma etapa da Street League Skateboarding (SLS), em Los Angeles. Espero que venham muitos outros”, avisa.

Entenda como funciona a classificação do skate para Tóquio-2020

Cada categoria, Park e Street, será composta por 20 atletas mulheres e 20 homens, e a escolha leva em consideração os seguintes critérios:

- Os três mais bem colocados no Mundial de Skate de 2020;

- 16 classificados a partir do ranking mundial Olímpico da World Skate, que leva em conta o desempenho nos torneios nacionais, continentais e no campeonato mundial. Além de eventos 5 Estrelas e da Street League Pro Tour - sendo esta exclusiva do Street;

- Uma vaga dedicada ao atleta mais bem colocado no ranking nacional do país-sede.

Além disso, para poder participar dos Jogos Olímpicos de Tóquio, o atleta precisa estar no ranking da World Skate, em sua modalidade de disputa, no dia primeiro de junho de 2020 e ser reconhecido pela Federação Nacional de Skate de seu país - a CBSk no caso brasileiro - ou possuir uma licença válida para a prática do esporte.

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