São Paulo vira e põe fim a encanto do Americana

Equipe começa mal, mas tem boa atuação no 2º tempo e faz 4 a 3 na casa do adversário, que tinha vencido seus três jogos

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2011 | 00h00

Paulo César Carpegiani alterou a equipe do São Paulo que perdeu para a Ponte Preta (1 a 0, no Morumbi) no sábado passado. O resultado foi desastroso. O time terminou o primeiro tempo ontem perdendo por 2 a 1 para o Americana, que até então não havia perdido um ponto sequer no Paulista, com péssima atuação. Mas o técnico percebeu o erro, tratou de pôr Fernandão em campo e os tricolores viraram o jogo. Parecia outra equipe a que fez 4 a 3 e se recuperou na competição.

"Melhoramos muito no segundo tempo", analisou o goleiro Rogério Ceni. "Fizemos gols e até pareceu que a nossa atuação foi uma maravilha."

Carpegiani confirmou a ideia de escalar três zagueiros, embora Xandão atuasse como um falso lateral-direito - sem muita liberdade para atacar. Cléber Santana, que voltou a ser perseguido pela torcida depois das primeiras más atuações da temporada, perdeu lugar no time.

Mas a novidade na escalação são-paulina não deu certo. Xandão mostrou dificuldades para se adaptar à nova posição. Em vez de dar firmeza à defesa, espalhou insegurança. O reflexo imediato está no número de chances criadas pelas duas equipes. O São Paulo teve apenas uma, enquanto o Americana empilhou oportunidades no primeiro tempo: oito.

Xandão esteve envolvido nos dois primeiros gols do Americana. No primeiro, aos 19 minutos, posicionou-se mal, não conseguiu cabecear e deixou Marcinho livre para concluir de primeira, com precisão. Depois, o zagueiro perdeu dividida para Charles, que passou para Rafael Chorão driblar Alex Silva e marcar o segundo.

Menos mal que, numa série de trapalhadas da defesa do Americana, o São Paulo ainda marcou um gol no primeiro tempo. Fernandinho roubou a bola de um adversário, foi ao fundo, cruzou para a área e Gercimar deu uma de atacante, mas fez gol contra.

No intervalo, Carpegiani foi obrigado a queimar uma alteração para desfazer o esquema com o zagueiro falso. Entrou Fernandão, saiu Xandão e o efeito foi quase imediato: Dagoberto marcou aos 3 minutos. O zagueiro rival ainda impediu a bola de chegar à rede, mas o auxiliar que fica atrás do gol referendou o tento - a bola realmente entrou.

Parecia mesmo que o São Paulo tinha trocado os 11 titulares no segundo tempo. Mas basicamente o técnico Carpegiani fez apenas uma mudança antes que o time visitante passasse a dominar o Americana, que até ontem tinha 100% de aproveitamento. Não demorou para ocorrer a virada. Aos 13 minutos, novamente Dagoberto, dessa vez com o peito, marcou gol, após cruzamento de Fernandão. O camisa 15, que até o fim de semana não tinha condições físicas ideais, fez seu segundo jogo na temporada e, atuando no meio-campo, alterou o panorama da partida.

Até mesmo Jean, que estava feliz por voltar a atuar em sua posição de origem, como volante, mostrou que é outro quando retorna à lateral-direita. O jogador marcou um golaço, de fora da área, de pé esquerdo. Fumagali ainda fez, de pênalti, mais um gol para o Americana, o que não fez muita diferença. Quando um time se acha em campo, tudo dá certo. E o São Paulo pula para a segunda posição do campeonato, apenas 1 ponto atrás do Santos.

Revelação vai para a Itália. O São Paulo acertou ontem a venda dos direitos de Lucas Piazon, de apenas 17 anos, para a Juventus. A equipe italiana pagará 7 milhões (R$ 15,9 milhões) para contar com o jogador, que nem atuou pela equipe principal, mas já vinha dando trabalho para os advogados do clube quando ameaçou sair no início da temporada passada por causa de supostas irregularidades no contrato de trabalho. O São Paulo terá direito a 5 milhões (R$ 11,4 milhões) do montante, enquanto o jogador e seu empresário dividirão o resto. O atacante já poderia assinar um pré-contrato com outra equipe a partir de agosto e sair sem render nada ao Tricolor, o que apressou a saída. / COLABORARAM MARCIUS AZEVEDO E LUÍS AUGUSTO MONACO

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