São Silvestre: chuva para o Brasil vencer

Atletas brasileiros vêem mau tempo como única solução para parar os rivais quenianos

Giuliander Carpes e Bruno Deiro, O Estado de S. Paulo

31 de dezembro de 2008 | 11h30

 Paulo Liebert/AEGiomar Pereira da Silva, Franck Caldeira, Anoé dos Santos Dias, Vanderlei Cordeiro de Lima, Marily dos Santos, Marizete Moreira dos Santos e Marina Zeferina Baldaia buscam a vitóriaSÃO PAULO - O mau tempo é o que os espectadores da 84.ª Corrida de São Silvestre não gostariam de ver hoje nas avenidas da capital paulista. Mas é a notícia que os corredores brasileiros mais esperam para ver crescer as chances de vitória na prova que transforma as ruas de São Paulo, a partir das 16h52 (com TV Globo e Gazeta), com acompanhamento ao vivo do estadao.com.br, em passarela para mais de 20 mil atletas e as calçadas em empolgadas arquibancadas. A largada do feminino é às 16h45.Veja também: Dê uma volta pelo percurso da São Silvestre"Já preparei meus pneus de chuva", brinca o mineiro Franck Caldeira. Em 2006, ele venceu a corrida sob tempo ruim e torce para que a situação se repita. "Os corredores africanos vão bem de qualquer jeito", constatou. "Mas, é melhor que chova, porque cria clima tenso e traz dificuldades para eles terem boas marcas."Faça chuva ou faça sol, esta edição da prova não deve apresentar surpresas. Se for seguido o script, os conhecidos favoritos não darão chances a nomes em ascensão. "Sinceramente, não acredito em surpresas", afirma Moacir Marconi, brasileiro que há 12 anos cuida do treinamento de alguns quenianos. "Muitas vezes se ganha até com o nome. O corredor acredita tanto em si que intimida os outros, mas não desta vez." Na avaliação do especialista, será difícil bater os africanos, mais do que nunca os principais favoritos hoje. A maior expectativa do Brasil recai sobre os ombros magros do próprio Franck Caldeira. Neste ano teve uma temporada fraca em termos de resultados, ainda mais se comparada à de 2007, quando venceu a Maratona nos Jogos Pan-Americanos e a Meia Maratona do Rio, além da Volta da Pampulha, em Belo Horizonte. ainda assim pode surpreender. "Pode ser nossa grande esperança", diz Marconi. Ele (Caldeira) está bem, apresenta trabalho progressivo", comenta o preparador. "Está começando a subir, ainda mais depois da 3ª colocação na Volta da Pampulha deste ano."Os colegas de Caldeira tentam mostrar otimismo. "Vamos brigar até o final", garante Giomar Pereira da Silva, segundo colocado da Nike 10K Rio de 2008. Mas logo cai na real e admite dificuldades. "É difícil, mas não impossível. Se não der brasileiro desta vez, tudo bem. Vamos voltar no ano que vem."HEGEMONIA QUENIANANas últimas 12 edições, os quenianos ficaram com a primeira colocação da prova masculina em oito oportunidades. Na última década, o Brasil até deu trabalho para os africanos, ao vencer em três ocasiões - Marílson Gomes da Silva levou o título em 2003 e em 2005; Caldeira em 2006. Paul Tergat é a maior referência da recente hegemonia queniana. Ele venceu cinco edições e cravou, em 1995, o recorde da corrida: percorreu os 15 km em 43 minutos e 12 segundos. É marca que ainda hoje assusta a melhor escola de fundistas do mundo. "Eles [os atletas do Quênia] têm talento para isto, mas baixar aquele tempo é complicado", explica Marconi.No entanto, é grande o rol de atletas do país dispostos a marcar o nome na história da famosa corrida. Mesmo com a ausência de Robert Cheruyot, tricampeão da prova - 2002, 2004 e 2007 -, a armada queniana tem atletas com currículo expressivo. Nicholas Koech, 26 anos, é um deles. Este ano, venceu algumas das principais provas de média distância do Brasil - a Volta da Pampulha e a Nike 10K Rio. Com um sobrenome de peso, apesar de nenhum parentesco com Robert, Evans Cheruiyot tem na bagagem conquistas importantes. Nesta temporada, ganhou a Maratona Internacional de Chicago, com o tempo de 2h06min25s. Além disso, levou o bronze no Mundial de Meia Maratona da Itália, em 2007.

Tudo o que sabemos sobre:
São Silvestre

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.