São Silvestre é Brasil x Quênia

A 80.ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre será o tira-teima entre Brasil e Quênia, nesta sexta-feira. São oito títulos dos quenianos e oito dos brasileiros na prova masculino, desde 1945 (fase internacional). Dessa vez a rivalidade virou parceria. Dos dez fundistas quenianos que largam em São Paulo, quatro estão vivendo no Brasil - Lawrence Kiprotich, Mathew Cheboi, Peninah Likomori e Teresia Kipchumba moram na paranaense Nova Santa Bárbara. A São Silvestre reunirá 15 mil corredores. As TVs Globo e Gazeta mostram ao vivo as duas provas.Peninah e Teresia, juntamente com a também queniana Lydia Cheromei, e o batalhão de brasileiras, puxado por vencedoras como Maria Zeferina Baldaia, largam às 15h15, em frente ao Masp, na Avenida Paulista. Do mesmo local, às 17 horas, largam para os 15 quilômetros da corrida, Lawrence, Mathew, Robert Cheruiyot e John Gwako, dentre os estrangeiros, além dos brasileiros, liderados por Rômulo Wagner da Silva, segundo no ano passado e apontado como um dos favoritos à vitória. Os dois principais fundistas brasileiros não correm a prova, Marílson Gomes dos Santos, o campeão de 2003, por causa de uma contusão, e o medalhista de bronze na maratona de Atenas, Vanderlei Cordeiro de Lima, treinando para a Maratona de Lake Biwa, em março."A genética, uma vida atlética, o hábito alimentar e o profissionalismo transformaram os quenianos nos melhores do mundo", afirma o técnico Moacir Marconi, o Coquinho, que aposta numa boa performance de Kiprotich.A Casa do Quênia foi montada em Nova Santa Bárbara, cidade de 4 mil habitantes, há dois anos. "Na Europa tem queniano demais e, a partir do contato com o agente italiano Frederico Rosa e a Fila, que mantém um Centro de Treinamento em Eldoret, no Quênia, começamos a trazer os quenianos, em rodízio. Eles gostaram da cidade, que só tem verde e terra, com muita plantação de soja, e vão falando para os outros, que também querem vir", resume Coquinho o seu projeto, que também inclui a Casa dos Brasileiros e 150 crianças, num projeto de descoberta de talentos, que também tem apoio da Prefeitura de Nova Santa Bárbara, a 70 quilômetros de Londrina, no Paraná.Os quenianos são observados enquanto treinam e também nos seus hábitos, incluindo o alimentar. De colonização inglesa, tomam chá, com leite, às 10 e às 17 horas, almoçam - gostam muito de arroz e batata e estão começando a apreciar feijão -, e jantam, invariavelmente, polenta. "Os quenianos comem polenta no jantar para fazer reserva de energia, o carboidrato, para o dia seguinte. Acordam cedo, dormem cedo, quase não comem doces - adoram frutas, especialmente banana - e são muito profissionais." Se houver segredo, está desvendado, afirma Coquinho, que espera ver seus atletas aprendendo bons hábitos com os visitantes, assim como as crianças do projeto.Para a São Silvestre, o treinador aponta Lawrence Kiprotich, de 20 anos, como o queniano que está mais bem preparado. O corredor tem linhagem - seu irmão, Martin Lel, venceu a Maratona de Nova York em 2002. Está no Paraná desde o dia 10 de outubro se preparando para a São Silvestre e ganhou a Volta Internacional da Pampulha, no mês em que chegou (prova que tem 18,1 km). "Só tem o primeiro grau, é o menos tímido, o mais viajado", explica Coquinho.Os brasileiros e os próprios quenianos dizem que John Gwako também está bem preparado. "Eles dizem que não são favoritos, mas nós ficamos com o pé atrás", afirma Alex Januário, de 29 anos, que tem sete participações na São Silvestre (melhor colocação: 7.º lugar, em 2002). Gwako, que já venceu três vezes a Meia Maratona do Rio acha que o percurso irregular, com subidas e descidas, da prova de São Paulo, o calor e a umidade no horário da prova, tornam a corrida muito desafiadora.Rômulo, que se preparou na altitude de Paipa (COL), acha que os quenianos virão firmes após ter de engolir dois brasileiros nos lugares mais altos do pódio na última edição da prova, Maílson Gomes dos Santos, que venceu, e ele próprio em segundo.

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