São Silvestre marca volta de Maria Zeferina

Depois de sete meses afastada das provas de rua em razão de anemia profunda e "overtraining" - quando o atleta acaba doente por desgaste físico e descanso insuficiente -, Maria Zeferina Baldaia está ansiosa para voltar à competição, na 79ª edição da São Silvestre, no dia 31. "Como atleta, estou acostumada a ter altos e baixos, mas a doença me derrubou. Foi o momento mais difícil da minha vida. Tive de reaprender a treinar progressivamente até os 180 quilômetros por semana", diz a atleta de 31 anos. Os sintomas da doença surgiram antes da última edição da prova, que terminou em terceiro lugar. Mas Zeferina não sabia o que era. "Sentia uma moleza no corpo. Nunca havia feito um exame completo de sangue e tomei um susto quando o médico disse que teria de ficar afastada por uns meses." Em sua estréia na São Silvestre, em 2001, a ex-cortadora de cana foi campeã. Mas não era exatamente um azarão, pois já tinha vencido a Maratona de Curitiba e sido vice-campeã da Maratona de São Paulo. "Correr a São Silvestre era meu maior sonho. Passei dez anos da minha vida correndo descalça até conseguir patrocínio (Mizuno e Usina Santa Elisa, que a patrocinam até hoje) para correr a prova." Para este ano, espera "chegar entre as cinco primeiras", pensando em pavimentar o caminho para a Olimpíada de Atenas/2004. "A São Silvestre será um grande treino para a Maratona de Hamburgo", explica a atleta, referindo-se à prova alemã de abril, a última dela antes dos Jogos Olímpicos. O índice para Atenas é 2h32. E a melhor marca de Zeferina é 2h36, estabelecida na Maratona de São Paulo do ano passado. Os quenianos Robert Cheruiyot, atual campeão, e Margaret Okayo, bicampeã da Maratona de Nova York, da qual é recordista, são dois dos estrangeiros confirmados na São Silvestre. Além deles, o mineiro Franck Caldeira, 20 anos e radicado em Petrópolis há três, espera encerrar o ano como campeão da corrida paulistana. Ele venceu a Volta da Pampulha - no mês passado, em Belo Horizonte - deixando o queniano Stephen Rerimoi como vice. "Gostaria de terminar o ano com uma vitória na São Silvestre para fechar a temporada com chave de ouro. Sei que vou encontrar muitas dificuldades por causa do nível forte dos participantes." Treinado pelo médico Henrique Viana, Franck fez um estágio de preparação em Cochabamba, Bolívia, a 2.640 metros de altitude. "Já participei de duas São Silvestres e não consegui resultados expressivos." No ano passado, estava gripado e abandonou a prova no quinto quilômetro.

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