São Silvestre reúne 17 mil em SP

A 77.ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre, a mais tradicional prova de rua da América do Sul, encerra o calendário esportivo do ano, refletindo a difícil situação econômica do País e do mundo. Nenhum dos 17 mil atletas que vão alinhar em frente do MASP, na Avenida Paulista, para a largada, nem mesmo os que formam o pelotão de elite, ganharam cachê este ano para participar da corrida. O irregular percurso de 15 quilômetros pelas ruas de São Paulo, com a íngreme subida da Avenida Brigadeiro Luís Antônio no fim, será o desafio para a elite, que corre sob "contrato de risco". Só ganhará prêmio e bônus em dinheiro quem ocupar um dos cinco lugares no pódio em cada prova. A corrida feminina terá início às 15h15, com 2 mil atletas, e a masculina às 17 horas, com 15 mil participantes. A São Silvestre terá premiação de R$ 80 mil, R$ 12 mil para cada um dos campeões e também bônus, de R$ 16 mil, que será distribuído entre os atletas nacionais. Além disso, os melhores brasileiros levam dois carros. Em 2000, a corrida pagou R$ 42 mil em prêmios, mais os cachês, que garantem o rendimento ao atleta independente do resultado. Com menos patrocinadores, a TV Globo, que comprou os direitos da São Silvestre da Fundação Casper Líbero, aboliu os cachês, até mesmo para os convidados internacionais. "Mesmo sendo maior, a premiação não é ideal. Gostaria de ter recursos de R$ 130 mil em dinheiro para prêmios. A tendência é a prova perder em nível técnico", admite o diretor-geral da corrida, Victor Malzoni Jr., que, no entanto, obteve autorização da Globo para que um grupo pequeno, de cinco atletas de elite, entre eles as principais estrelas - Tesfaye Jifar e Margaret Okayo - tenha bônus extra de patrocinadores (Sabrico e Brasimac) independente das cotas vendidas pela tevê. Mas, mesmo os bônus estão condicionados aos resultados. Só ganham o dinheiro extra e os prêmios se forem ao pódio. Malzoni assegura que Paul Tergat, o pentacampeão da prova, tinha concordado com o "contrato de risco" e só não veio porque tem um irmão muito doente (com câncer no fígado), internado em um hospital em New Jersey, Estados Unidos. Sem Tergat, o principal atrativo da prova de amanhã são os campeões e recordistas da tradicional Maratona de Nova York, em novembro, o etíope Tesfaye Jifar, de 26 anos, e a queniana Margaret Okayo, 25 anos. Jifar foi terceiro na São Silvestre no ano passado, o mais bem colocado entre os participantes que estão em São Paulo - esta edição não terá o campeão Paul Tergat e nem o vice de 2000, Tesfaye Tola. Jifar e Margaret não são especialistas em 15 km, o que também aumenta as chances do ?batalhão? de brasileiros - desde 1997 o País não vai ao pódio na prova masculina e desde 1996 na feminina. Antidoping - A novidade este ano será a realização de exames antidoping para a detecção do hormônio de crescimento Eritropoietina (EPO), substância proibida que ajuda no desempenho em provas de resistência. A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) fará o controle em dez atletas, mas não divulgou o critério de seleção.Conheça o percurso da prova

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