São Silvestre: Robert Cheruiyot é fã da Avenida Paulista

Maior rival dos brasileiros, atleta queniano buscará nesta segunda-feira terceira vitória nas ruas de São Paulo

Valéria Zukeran, de O Estado de S. Paulo,

30 de dezembro de 2007 | 09h23

Até hoje há quem não entenda o fascínio que a avenida mais famosa de São Paulo exerce sobre seus habitantes. Mas esse não é o caso do queniano Robert Cheruiyot, o maior rival dos brasileiros que lutarão nesta segunda-feira em busca da terceira vitória consecutiva do País na São Silvestre, fato inédito desde que a competição ganhou status internacional. O corredor não se cansa de dizer que, dos lugares que conhece no Brasil, a Avenida Paulista é, de longe, o preferido. "Não há ruas assim - largas e com tanta gente passando - no Quênia. Quando estou em São Paulo, adoro passear por aqui", diz o atleta. Veja também:A 83.ª Corrida Internacional de São Silvestre  Apesar de ser o maior rival dos brasileiros na São Silvestre - venceu em 2002 e 2004, além de ter sido vice em 2005 -, Cheruiyot garante que não se sente desconfortável na casa adversária. "Muita gente me reconhece nas ruas. Alguns pedem para tirar fotografias." De fato, alguns minutos depois da declaração, a entrevista é interrompida por uma família hospedada no mesmo hotel dos corredores da São Silvestre. Pedem para tirar uma foto com o bicampeão. Depois, ao passar pelo Masp, Cheruiyot recebe o apoio de um taxista. "Ei, Quênia!", chama o fã apontando o polegar para cima em sinal de positivo. Com vitórias em competições importantes como as Maratonas de Chicago e de Boston, o queniano não tem necessidade de vir ao Brasil para melhorar o currículo. "Venho porque gosto. É um prazer correr aqui." Ao mesmo tempo, ele explica que a São Silvestre serve como uma boa preparação para a Olimpíada de Pequim. "Quero conquistar uma vaga na equipe queniana da maratona e, como para mim a temporada de 2008 está começando, a São Silvestre é um bom treino." Mesmo acostumado ao calor, o corredor torce para que a alta temperatura dos últimos dias em São Paulo diminua, especialmente no trecho de subida da Avenida Brigadeiro Luís Antônio. "Considero a parte mais difícil da corrida." Nos últimos cinco anos, a São Silvestre foi dominada pela rivalidade entre Brasil e Quênia. "Acho que este ano vai ser a mesma coisa", aposta Cheruiyot, que não dá muita bola para os adversários. "Não adianta ficar muito preocupado com os rivais. Prefiro me concentrar na minha preparação." Como disputou a Maratona de Chicago neste ano, o queniano diz não ter feito um trabalho específico para a São Silvestre, mas diz reunir condições de conquistar o terceiro título. "É importante estar em boa forma, mas isso de nada adianta se você não está preparado mentalmente." E Cheruiyot revela que faz isso de forma simples. "Antes das competições procuro não mudar muito a rotina que tenho em Nairóbi (capital do Quênia). Treino, me alimento e, depois, descanso." O corredor se revelou adepto do "pijama training" - chegou três horas e meia atrasado para a entrevista porque perdeu a hora no cochilo vespertino. Recordes Cheruiyot não acredita que será capaz de bater o recorde da prova - de 43min12 - que pertence ao compatriota Paul Tergat. "Não estipulo tempo como meta. Afinal, de que adianta você fazer um tempo bom na prova se você não ganha? Prefiro me concentrar em ganhar." O queniano, no entanto, é mais ambicioso ao falar de atingir o recorde de cinco vitórias, número alcançado por Tergat e pelo belga Gaston Roelants. "Se for possível, por que não?" Até porque não seria nada mal conquistar a marca em sua "praia" favorita: a Avenida Paulista.

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