São Silvestre traz inovações em 2001

Ano após ano, a organização da São Silvestre procura inovar, senão na distância ou percurso da prova - a mais tradicional da América Latina - nos recursos disponíveis para os participantes, que vão correr na segunda-feira pelas ruas de São Paulo. Em 2000, todos os corredores usaram chips nos tênis para cronometrar os tempos e acusar desvios de percurso. A novidade desta 77ª edição é a premiação: serão R$ 80 mil, quase o dobro de 2000 (foram R$ 42 mil), para serem divididos entre os cinco primeiros colocados, no masculino e feminino. Além disso, estão previstos dois carros zero quilômetro para os melhores atletas nacionais - o primeiro homem e a primeira mulher -, totalizando cerca de R$ 110 mil em prêmios. O primeiro colocado, tanto na prova masculina quanto feminina, leva R$ 12 mil, o segundo receberá R$ 8 mil, o terceiro ganha R$ 6 mil. Haverá um bônus, R$ 16 mil, somente entre os atletas brasileiros. É o mesmo sistema de provas da Maratona Internacional de São Paulo e a Volta Internacional da Pampulha, que oferecem prêmios maiores e deixam de pagar cachês para atrair atletas mais famosos. Adriana de Sousa, a melhor brasileira na São Silvestre do ano passado, foi pega de surpresa com a nova fórmula: "A gente se preocupa em treinar. Às vezes nem sabe dessas mudanças. De qualquer forma, é uma boa idéia, porque nos estimula e estimula outros atletas. Tem muita gente que corre outras provas no dia 31 porque sabe que não tem chance de ganhar um bom prêmio na São Silvestre. Isso deve mudar um pouco." A atleta, que mora há dois anos na cidade paranaense de Maringá, vendeu o carro que recebeu no ano passado e já está contando com uma colocação no pódio este ano para acabar de realizar um sonho. "Com o dinheiro do carro comecei a construir minha casa, mas ainda falta muita coisa. Preciso ganhar este ano para terminar a construção", comentou, bem-humorada. Selma Reis, ex-atleta do Vasco, também não sabia da nova premiação: "Nem sabia disso! Só sei que vou correr e mais nada." O diretor-geral da corrida, Victor Malzoni Jr., acredita que dessa maneira a competição atrai mais os atletas que disputam o circuito internacional de ruas, tanto nacional como no Exterior. "Era um projeto pelo qual vínhamos batalhando. Isso fará com que a São Silvestre possa contar com atletas renomados e beneficiará os competidores nacionais que brigam pelas primeiras colocações."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.