São Silvestre vira meio de sobrevivência

Já foi o tempo que os excêntricos da São Silvestre usavam fantasias para correr apenas com o objetivo de se divertir durante a competição. Hoje, os 15 segundos ou menos de fama conquistados nas emissoras de TV que cobrem o evento são tão valiosos que viraram meio de sobrevivência de muitas pessoas, que usam a corrida para divulgar seus trabalhos durante o ano. O barman e maitre Geraldo de Luna resolveu se fantasiar com roupa de cozinheiro e marcar presença na Avenida Paulista. "Estou desempregado e talvez a aparição me ajude a arrumar alguma coisa", explicou, sem esquecer de divulgar seu telefone de contatos (11 94235070). Ele veio acompanhado do amigo garçon Antônio José de Lima, que veio fantasiado de juiz corrupto com direito a lista de preços: R$ 10 mil para campeonato Paulista, R$ 15 mil para Brasileiro, R$ 3 mil para jogo beneficente e R$ 15 mil para entrevista com choro. Só deu entrevista sem chorar e voltou para casa com os olhos secos, mas mais famoso. "Normalmente eu venho fantasiado de padre, mas padre não pode roubar", justificou. Outro que juntou a São Silvestre com trabalho é o artista que atende pelo nome de Azerutan . No calor escaldante da Paulista, ele estava vestido de uniforme branco de mangas compridas mais uma bandeira brasileira como manto. Para completar, maquiagem branca sobre o rosto e um pesado suporte de lantejoulas sobre os ombros. Desfilava alegre apesar do aparente desconforto. "A idéia é divulgar meu trabalho - faço animações em festa e eventos além de a apresentações como estátua humana - e também me divertir no último dia do ano." Azerutan diz que a estratégia dá certo, tanto que já participa da São Silvestre há nove anos e já conseguiu alguns trabalhos a partir das aparições na prova. Outro que sobrevive com a ajuda da São Silvestre é Manoel da Silva que com nove participações na São Silvestre garantiu um emprego de garoto propaganda permanente, fazendo embaixadinhas e envergando uma fantasia, sempre ligada ao tema futebol. "Esse ano vim fantasiado de hexa", disse a figura também conhecida por fazer a barba apenas em metade do rosto. "Sempre tive o sonho de aparecer e ser uma celebridade em um evento como a São Silvestre. Como não poderia ganhar a corrida, resolvi me fantasiar", explicou. Mas também há quem use fantasia apenas por diversão, como o clone do cantor Falcão, José Lins dos Santos, que veio de Taubaté para correr fantasiado. "Quando Falcão me vê diz que fica feliz em saber que existe alguém mais feio do que ele", contou, com bom humor. Animado, atendia a todos os pedidos de fotos e só encerrou a entrevista depois de um autógrafo no bloco da repórter. Outra figura requisitada para fotografias é Leandro Rocha ou Bin Laden da Paz, que desfilou com uma fantasia feita com 20 mil pregadores de roupa. "Sou estilista", disse. Ao lado do máscara Francis Lemos e do sombra Israel de Jesus, ele se tornou um dos pontos turísticos da São Silvestre, atendendo à todos os pedidos dos turistas que pediam uma recordação para a posteridade. Mas o espírito de ganhar os 15 segundos de fama ainda resiste em figuras como a do impressor Marcos Paulo Lima, que foi à Paulista fantasiado de Tevez. "Lá em Arthur Alvim, sou conhecido como Mexicano por causa da fantasia que usei no ano passado. Até apareci na televisão", conta.

Agencia Estado,

31 de dezembro de 2005 | 17h39

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