Jonne Roriz/AE
Jonne Roriz/AE

Sarah Menezes conquista medalha inédita no judô

Judoca ganha o ouro e se transforma na primeira brasileira a chegar ao lugar mais alto do pódio no tatame. Felipe Kitadai é bronze

WILSON BALDINI JR., ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2012 | 03h05

LONDRES - A tradição do judô brasileiro de trazer medalha olímpica desde 1984 está mantida. E de forma sensacional. Emocionante. A peso-ligeiro (até 48 quilos) Sarah Menezes, de 22 anos, conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres, ontem, na ExCel Arena.

É a primeira vez que uma judoca brasileira sobe no lugar mais alto do pódio em olimpíada e a segunda individual de uma atleta nacional. Ela se une a Maurren Maggi, ouro no salto em distância em Pequim/2008. Aurélio Miguel, em Seul/1988, e Rogério Sampaio, em Barcelona/1992, foram os outros campeões brasileiros. O judô nacional soma agora 17 medalhas, uma a mais que a vela.

Também entre os ligeiros (até 60 quilos), só que no masculino, Felipe Kitadai, que completou 23 anos ontem, ficou com o bronze. O brasileiro teve um desempenho muito bom e só foi superado pelo usbeque Risihod Sobirov, apontado como o melhor judoca da atualidade em todas as categorias.

"Minha vida agora vai mudar para melhor, tenho certeza", desabafou Sarah, reclamando das dificuldades financeiras que sempre enfrentou para praticar o judô. Apesar de medir apenas 1,54 metro, Sarah foi gigante no tatame. Segura, madura, confiante, passou pelas cinco adversárias como se fosse uma veterana. Determinada, só foi externar sua satisfação ao garantir a vaga na final, inédita para o judô nacional. Mas não teve moleza. Todas as lutas foram decididas por pontos. "Tive uma estratégia para cada luta. E gostei muito pois consegui raciocinar, pensar em cada luta. Treinar todo mundo treina. O diferente é quando se consegue por em prática o que se planejou no treino."

Até na estreia frente à desconhecida vietnamita Ngoc Tu Van Sarah enfrentou todas do mesmo jeito. Agressiva, com o controle da luta. Jamais demonstrou nervosismo. Nas quartas de final, levou o seu maior susto, quando um golpe da chinesa Shugen Wu no último segundo quase levou a brasileira à derrota.

Foi assim também diante da francesa Laetitia Payet e contra a belga Charline Van Snick. "O momento mais complicado foi quando estava pronta para entrar e lutar quando japonesa (Tomoko Fukumi) perdeu. Fiquei tão feliz, que, por algum tempo, perdi a concentração", revelou a nova campeã olímpica - que tem um histórico de lutas complicadas contra adversárias japonesas.

Na decisão com a então campeão olímpica Alina Dumitru, da Romênia, a brasileira foi soberba. Não deu nenhuma chance à rival e venceu com um yoko e uma wazari (11 a 0). "Entrei para a decisão como se fosse um treino. Chorei depois da semifinal, pois havia garantido a medalha. Lutei sem pressão e confiante."

Em Teresina. Uma festa enorme foi feita pelos pais de Sarah, Rogério e Olindina, na capital do Piauí. Junto de amigos e familiares, eles se reuniram no Centro de Treinamento Sarah Menezes. "Por oito anos minha filha lutou por isso", disse a mãe da judoca, bastante emocionada. Uma carreata e uma grande recepção já estão sendo organizadas para o retorno da atleta, que será dia 5. A promessa é de parar cidade.

Mas a relação da família de Sarah com o judô não foi tão amistosa, quando do início da carreira da atleta piauiense. "Meus pais achavam que se tratava de um esporte para homens. Mas com o tempo, eles viram que eu tinha talento. Eu comecei a viajar e ganhar vários torneios e desde então, tudo mudou", relembrou a judoca, que mantém seu treinamento diário em sua cidade natal. "Tenho certeza de que minha vida vai mudar. Acho que já mudou. Mas é preciso que a vida das pessoas que treinam comigo em Teresina também mude", finalizou a medalhista brasileira em Londres. 

(Colaborou Silvio Barsetti)

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