Scheidt diz que ouro olímpico não tem dono

Momentos de muita tensão, que valorizaram ainda mais a conquista, marcaram a chegada do iatista Robert Scheidt ao sétimo título de campeão mundial da classe Laser, nesta quarta-feira, em Bodrum, na Turquia, na última regata, após sete dias de provas, contra 150 barcos de 70 países. Robert Scheidt saiu da água vitorioso, dono do heptacampeonato ? é o único brasileiro com tantos títulos mundiais em uma modalidade olímpica. ?Estou feliz por reconquistar o campeonato mundial?, disse, por telefone, antes de ir para a premiação e a comemoração, em um jantar com amigos brasileiros. No ano passado, Scheidt perdeu o Mundial, no último dia, para o português Gustavo Lima, por um ponto. Agora, já avisou, tem foco único: os Jogos de Atenas, em agosto. Scheidt até mesmo desistiu de disputar a Semana de Kiel, na Alemanha. Trocou a tradicional prova européia pelo campeonato grego, no fim de junho. ?Eu descobri que todos os iatistas mais competitivos do mundo vão para Atenas. Também vou.? Scheidt quer ?domar? a raia olímpica, de poucos ventos, condição que não é a melhor para o brasileiro, dono de um estilo agressivo de velejar. Parte de seus 40 rivais, que têm as vagas olímpicas, também disputarão o campeonato grego. De volta a São Paulo ? chega nesta sexta-feira ? Scheidt quer se ?acalmar um pouco, comemorar também?, antes de retornar a Europa. Ainda disputará o Match Race Brasil, em Búzios (como tático do barco de Alan Adler), uma prova de vela oceânica, e treinará mais um pouco em Ilhabela. Nesta quarta-feira, Scheidt entrou no mar quatro pontos à frente do australiano Michael Blackburn. ?Foi uma loucura esse último dia. Na penúltima regata do dia, quando eu estava em sexto, na frente do Blackburn, tomei uma punição por bombar (impulsionar o barco com o movimento do corpo) no fim. Como era o segundo cartão amarelo tive de abandonar a prova e tudo ficou muito ruim para o meu lado. O Blackburn foi sétimo. Na última regata, que teve quatro largadas anuladas, consegui me desvencilhar do Blackburn quando a largada valeu, ele ainda escolheu o pior vento. Cheguei em segundo para ficar com o título. Ele não concluiu a regata. O americano (Mark Mendelblatt), que ganhou a regata foi o vice mundial, surpreendendo favoritos.? Scheidt terminou o Mundial com 16 pontos perdidos. O português Gustavo Lima, campeão do ano passado, não ficou entre os dez primeiros, e Michel Blackburn, terceiro na Olimpíada de Sydney, terminou novamente com a medalha de bronze (25), um ponto atrás do velejador dos EUA, Mark Mendelblatt (24). Além de sete títulos mundiais, Scheidt, de 31 anos, líder do ranking mundial da Laser, é dono de duas medalhas olímpicas ? ouro, em Atlanta (1996), e prata, em Sydney (2000). Em Atenas, tentará mais um pódio nas competições de vela. O título conquistado nesta quarta lhe dá ?uma grande confiança?. Mostrou que está em boa forma, é experiente, e favoritíssimo ao pódio olímpico. ?Mas viu como foi complicado? E medalha olímpica não tem dono antecipado. Estou confiante, mas não acredito em invencibilidade?, afirmou o paulistano, que começou a velejar aos 9 anos e tem muito prazer em vencer ? esse foi o 107º título de sua carreira.

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