Scheidt luta nos bastidores para salvar a classe Star

Prova responsável por cinco medalhas olímpicas do Brasil corre o risco de ficar fora dos Jogos do Rio

Valéria Zukeran, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2010 | 00h00

O bicampeão olímpico Robert Scheidt começa a se dedicar a uma nova atividade: a de lobista. O velejador, porém, não está trocando os barcos pela política. Ao contrário, começa a colocar todo o seu reconhecimento nacional e internacional para impedir que a Classe Star seja excluída da Olimpíada do Rio, em 2016.

No dia 12, em votação apertada - 16 votos pró e 12 contra -, a Federação Internacional de Vela (Isaf) aprovou, em conferência na Grécia, mudanças para os eventos dos Jogos do Rio, com o objetivo de tornar o esporte dinâmico e atraente para a TV. Entre as novidades, excluiu a classe Star, alegando que, além das provas muito longas, não é popular na Ásia e na Oceania.

A proposta será colocada em nova votação no mês de maio e, se for referendada, uma chance quase certa de medalhas para o Brasil (nas últimas seis Olimpíadas o País esteve no pódio da classe em cinco) será perdida. Fora isso, Scheidt ressalta que essa é a classe mais antiga da vela olímpica (com provas desde 1932) e a que abrange muitos dos velejadores top do mundo de diferentes biotipos.

O brasileiro acredita em lobby para reverter a situação, lembrando que em 1998 a Star viveu situação semelhante e foi reinserida na Olimpíada a pedido do então presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Juan Antonio Samaranch. Para Scheidt, os dirigentes da Star terão de se mostrar mais receptíveis a mudanças para convencer dirigentes de vários países a reinserir a classe nos Jogos de 2016. Pressão de velejadores como ele e Torben Grael, além do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Olímpico Internacional, também serão importantes.

"Acho que a melhor estratégia é não tirar nenhuma das 10 classes aprovadas, mas convencer os dirigentes com direito a voto pela inclusão de uma 11.ª classe com diminuição no número de participantes das outras", opina. De acordo com o velejador, diminuir os custos dos barcos seria outra medida positiva.

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