Scheidt: novos desafios rumo ao tri

Driblar o tempo e as particularidades da arena da Olimpíada estão entre as preocupações do velejador

VALÉRIA ZUKERAN, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2012 | 03h04

O tempo passa e não poupa ninguém, nem mesmo um bicampeão olímpico como Robert Scheidt. Disputar uma olimpíada não é novidade para o velejador - em Londres será sua quinta participação em Jogos e nas quatro edições anteriores sempre voltou com medalha: ouro em Atlanta, prata em Sydney, ouro em Atenas (todas na classe Laser) e prata em Pequim (na classe Star). Porém, mesmo com tanta experiência, sempre existem novos desafios a enfrentar.

Ao lado de Bruno Prada, com quem conquistou a prata na China, o único bicampeão olímpico brasileiro em atividade está ciente de que nem sempre conhecimento adquirido resolve problemas. "A gente tem se cuidado nesta fase final para não exagerar (nos treinos) e sempre contando com alguém para ajudar. Não somos mais tão moleques. Eu tenho 39 anos e o Bruno 40. Temos de cuidar do corpo agora", admite Scheidt. Prada concorda. "Temos que chegar descansados, mas ao mesmo tempo com 100% de capacidade, esse é o nosso grande desafio."

O bicampeão olímpico conta que, há algum tempo, ele e Prada contrataram um fisioterapeuta para trabalhar com a dupla e recebem outras ajudas externas.

"Tenho feito mais exercícios de flexibilidade e alongamento. Faço uma série que os médicos do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) nos passaram para o aquecimento e, além disso, a preparação física de bicicleta, natação e um pouco de musculação."

Scheidt está consciente de que a competição em Weymouth, local das provas de vela da Olimpíada, será mais difícil que o usual. Para começar, os atuais campeões, os britânicos Iain Percy e Andrew Simpson, vão lutar pelo bicampeonato em casa, mas ainda existem outros desafios.

O bicampeão olímpico não acredita, por exemplo, em problemas de arbitragem. "Mas temos cinco pontos de regata em Weymouth. O ideal nesses casos é que se veleje em um só lugar para você mapear melhor aquela raia. Mas dia a dia eles dizem em que raia você vai correr", relata. Segundo o Scheidt, cada local de competição exige um conhecimento particular dos ventos e das correntes. "Isso, então, beneficia quem conhece muito o lugar." Não que isso assuste Scheidt, que já venceu duas competições em Weymouth no ano passado.

Preparação. A dupla brasileira da Star deve participar de mais cinco eventos antes da Olimpíada. No mês que vem, disputam do Troféu Princesa Sofia, na Espanha. "Vamos testar um barco italiano, marca Folli. Caso surpreenda positivamente, a gente pode continuar com ele. Caso não, voltamos para o PStar que a gente já conhece", adianta Scheidt.

O velejador e Prada também vão disputar o Mundial de Star, em Hyéres, França, em maio, quando esperam estar bem perto do melhor em termos de preparação. Fazer uma boa competição será fundamental, mas vitória não será prioridade.

"Minha prioridade é conseguir cumprir o planejamento com tranquilidade, os passos todos - chegar à conclusão sobre o material e montar a estratégia. O segundo passo é a maneira como a gente vai velejar na Olimpíada, ou seja, a execução desse trabalho." Depois, diz ele, é estar inspirado para tomar as decisões certas.

O resto fica por conta da torcida brasileira, que espera recepcionar, ao fim dos Jogos, seu primeiro tricampeão olímpico.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.