Schumacher chega ao 300º GP em 'sua sala de visitas'

No circuito belga de Spa-Francorchamps o alemão festejou muitas conquistas, como o sétimo título mundial

LIVIO ORICCHIO , ENVIADO ESPECIAL , FRANCORCHAMPS, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2012 | 03h04

A expectativa dos líderes do campeonato, candidatos ao título, quanto ao que devem produzir no GP da Bélgica, ficou em plano secundário, ontem, no circuito de Spa-Francorchamps. A partir de hoje, com os primeiros treinos livres da 12.ª etapa do calendário, entra em cena, para valer, a luta entre Fernando Alonso, Ferrari, Mark Webber e Sebastian Vettel, Red Bull, Lewis Hamilton, McLaren, e Kimi Raikkonen, Lotus. E promete ser acirrada.

A estrela do dia, ontem, foi Michael Schumacher, da Mercedes. Todos desejavam saber desse notável piloto, dono dos números mais impressionantes da história da Fórmula 1, o significado de atingir em Spa o seu 300.º GP. Na frente de Schumacher, em número de participações na Fórmula 1, está apenas Rubens Barrichello, que entre 1993 e o ano passado esteve em 325 GPs.

"Meus 300 GPs se tornam mais especiais por ser em Spa. Tudo acontece comigo aqui. Primeira corrida, primeira vitória, algumas grandes vitórias, em 2004 a conquista do sétimo título, no ano passado celebrei 20 anos da minha estreia na Fórmula 1 aqui e agora o meu 300.º GP", disse, entusiasmado, o alemão. A identificação de Schumacher com Spa se estende para bem além desses dados estatísticos. Ao Estado, disse: "É a pista mais próxima de onde cresci, a menos de uma hora de casa", referindo-se à cidade de Kerpen.

Para sacramentar de vez a associação do piloto com o circuito, ontem Schumacher viveu experiência tocante, segundo descreveu: "Fui recebido no autódromo com uma bonita cerimônia, onde recebi o título de Cidadão de Spa, algo muito especial para mim". E concluiu o discurso: "Sempre chamei Spa de minha sala de visitas, pois agora posso oficialmente dizer que é a minha sala de visitas e é ótima a sensação".

No dia 25 de agosto de 1991, até então um piloto bem pouco conhecido, estreou na Fórmula 1 com o apoio da Mercedes na equipe Jordan. Já na etapa seguinte, Monza, substituiu Roberto Moreno, na Benetton. Em 1992, obteve com a equipe sua primeira vitória em Spa. E na sequência foram outras cinco, sendo a de 1995 ainda com a Benetton e as demais pela Ferrari. Em 1994, venceu. Porém o desgaste irregular da prancha sob o assoalho do carro o levou à desclassificação.

Objetivos. Os tempos, hoje, são outros. Aos 43 anos, não apresenta a mesma competência extrema dessa época que fez dele, em números, o maior piloto de todos os tempos. Na Mercedes, seus objetivos no fim de semana, são mais modestos. Depois de 11 etapas até agora este ano, Schumacher soma apenas 29 pontos, enquanto o companheiro, Nico Rosberg, 16 anos mais jovem, 77. O veterano piloto da Mercedes, no entanto, não estabelece uma relação entre a idade e o desempenho inferior a Rosberg.

Ontem, comentou em resposta ao Estado: "Penso que a minha capacidade de conquistas (na Fórmula 1) é maior hoje. Tenho melhor visão das coisas, maior entendimento. Se enfrentamos problemas, necessito de menos tempo para chegar ao ponto-chave e explicar à equipe". E esse maior ou menor discernimento, depende do ponto de vista de cada um, o levará, com elevada probabilidade, a renovar seu contrato com a Mercedes por mais uma temporada.

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