Marcos de Paula/AE
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'Se o Rio fizer igual a Londres, já será fantástico', diz diretor do COI

Gilbert Felli afirma que País precisa começar a se planejar e superar o caráter de 'país latino'

Jamil Chade - Enviado Especial, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2012 | 03h07

LONDRES - Chegou o momento de as autoridades brasileiras finalmente entenderam a dimensão do evento que sediarão em quatro anos. O País, alerta o diretor executivo dos Jogos Olímpicos no COI, Gilbert Felli, precisa começar a se planejar, resolver a situação do laboratório de combate ao doping e superar o caráter de "país latino", de deixar tudo para a última hora. Felli insiste que o Rio não deveria falar que vai fazer uma Olimpíada melhor que a de Londres. "Se fizer igual, eu assino embaixo", disse. Eis os principais trechos da entrevista:

Concluído Londres, qual será a posição do COI em relação ao Rio?

O foco a partir de agora será o Rio. Definitivamente, será sobre a preparação. O período entre agora e o fim do ano será chave para finalizar planos e desenhos de cada local das modalidades, para que cada federação possa fazer sua análise. Já sabemos onde as coisas ocorrerão. Falta um ou outro esporte, como a questão do hóquei. Mas devemos fechar isso logo.

Inclusive o parque aquático?

O complexo Maria Lemke será reformado, mas haverá uma piscina grande, temporária. Essa será a piscina principal. Os planos deverão ser entregues para empresas de arquitetura até o final do ano. As empresas terão de apresentar projetos dentro das regras e serão revistos por diferentes federações, um processo que leva tempo.

O Rio pode fazer melhor que Londres?

Por que fazer melhor? Se fizer igual, já seria fantástico.

A presidente Dilma Rousseff foi a primeira a dizer que o Rio faria melhor.

Mas é disso que não gosto. Claro que pode haver um problema. A questão é como levar um milhão de pessoas no sistema de transporte de forma tranquila. Se o Rio fizer isso, eu assinaria embaixo.

Qual a avaliação do COI sobre a estrutura de combate ao doping no Brasil, principalmente depois que o único laboratório foi parcialmente suspenso pela Wada?

Há duas coisas. O Brasil precisa agir e estão criando uma agência para isso, colocando funcionários. Mas ainda precisa trabalhar para implementar o código. Isso é importante para o esporte no Brasil. Outra coisa é o laboratório. Um país não precisa ter um laboratório se não quiser os Jogos. Mas, se quiser, precisa. Havia um laboratório credenciado, que foi desqualificado. Agora existe um processo para tentar requalificá-lo. Para nós, quanto mais cedo isso ocorrer melhor.

O que ocorre se não conseguir?Mas conseguirá. Porque não conseguiria? Você está dizendo que os brasileiros não são capazes de ter um laboratório? É uma obrigação para os Jogos. Não há opção. Esperamos que façam isso logo, pelo esporte brasileiro.

Qual é o principal desafio do Rio?

O maior desafio é ter a dimensão do evento que vai sediar. Foi bom ter muitos observadores brasileiros e do governo em Londres para entenderem isso. Você pode explicar, contar. Mas só quando se presencia é que se entende a complexidade e a dimensão dos Jogos. O mais importante é o planejamento de longo prazo. Precisamos planejar agora sobre o que será entregue em três ou quatro anos. Isso, às vezes, é uma dificuldade na cultura de países latinos. Agora que vieram aqui, espero que tenham entendido que não podem só planejar até o final do ano. As agências do estado precisam ser equipadas.

Quanto vai custar a Olimpíada no Rio?

A questão não é quanto vai custar, mas qual é o projeto. Em Londres, usaram os Jogos para transformar toda uma região da cidade, que era um projeto de anos e que não era necessário para os Jogos. Eles poderiam ter decidido fazer em outra parte. Os Jogos foram o apoio ao projeto. É o mesmo no Rio. Se for dito que querem desenvolver a Barra, precisa ter infra-estrutura, linhas de transporte e metrô para levar as pessoas. Se o Brasil quer ser um destino de turismo, precisa ter transporte, acomodação. Portanto, se me perguntam quanto custa, eu não sei. Mas, quanto custaria à cidade fazer algo que um dia teriam de fazer, cabe ao governo do Rio explicar.

O COI é mais sofisticado em sua forma de colocar pressão no Brasil em comparação à Fifa, que chegou a criar um problema diplomático. Após Londres, isso vai mudar?

Quem é que disse que o COI não coloca pressão no Rio?Mas se você tem um problema com sua mulher, você vai a um lugar público dizer quais são os problemas? O que você deve fazer é tentar solucionar o problema. No COI, sempre fomos capazes de dialogar. É algo tão complexo, tão dificil, que, se desenvolverrelações difíceis com seu parceiro, não vai ajudar em nada. Isso é algo que o COI já desenvolveu por anos. Se você quer seu nome nos jornais, você faz a crítica pública.

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