Jason Lee/Reuters
Jason Lee/Reuters

Sebastian Coe supera Bubka e se torna presidente da IAAF

Britânico recebeu 115 votos, enquanto seu adversário somou 92

Estadão Conteúdo

19 de agosto de 2015 | 07h52

O britânico Sebastian Coe venceu nesta quarta-feira a eleição para substituir Lamine Diack como presidente da Federação Internacional das Associações de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês) e assumiu o imediato desafio de restaurar a imagem de um esporte envolvido em controvérsias sobre doping.

Em uma disputa que envolveu lendas do esporte, Coe, de 58 anos, recebeu 115 votos, superando o ucraniano Sergei Bubka, que teve 92, na votação realizada em Pequim, palco do Mundial de Atletismo a partir do próximo sábado.

Poucos duvidam do compromisso e das credenciais de Coe. Ele é dono de duas medalhas de ouro olímpicas nos 1.500 metros, foi parlamentar na Grã-Bretanha e integrante da candidatura e membro da organização dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres.

Ele disse que viajou 700 mil quilômetros durante a campanha para visitar as federações nacionais em "seus quintais"."Isso para mim é o auge. É meu esporte, minha paixão. É a coisa que eu sempre quis fazer", disse Coe, que anteriormente tinha dito ao Congresso da IAAF que a vitória eleitoral foi a ocasião mais importante da sua vida, além do momento em que se tornou pai.

Coe elogiou Bubka por contribuir para uma campanha que "deu ao esporte uma oportunidade de fazer uma pausa para respirar e se renovar"."As eleições são uma boa oportunidade para o esporte para sentar e pensar sobre o seu futuro. Eu tenho certeza que nós somos mais fortes após passarmos por esse processo", afirmou.

Bubka, que foi recordista mundial, campeão olímpico e mundial do salto com vara, manteve o seu cargo de vice-presidente em uma votação posterior. "Eu sei que atletismo vai crescer no futuro e se tornar mais forte e mais forte. Nada mudou na minha vida. Vou continuar a servir ao atletismo com dignidade e grande paixão como eu fiz antes".

A eleição da IAAF, realizado às vésperas do Mundial, vinha sendo ofuscada pelas críticas à entidade por supostamente não ter agido para combater suspeitas de doping generalizado. A TV alemã ARD e o jornal britânico Sunday Times, da Grã-Bretanha, tiveram acesso a um estudo de 2011 que apontava a existência de dezenas de casos de doping sanguíneo.

A IAAF negou que tenha tentado bloquear a publicação do estudo, e confirmou que 28 atletas haviam sido capturados em novas avaliações de seus exames antidoping dos Mundiais de 2005 e 2007, mas disse que nenhum dos atletas vai participar do evento deste ano.

Coe, que na semana passada descreveu as acusações como uma "declaração de guerra" contra o esporte, propôs que um tribunal totalmente independente avalie os casos. Ele se recusou a apontar detalhes dessa comissão independente, mas declarou que trabalhará o assunto com seu conselho antes e após 31 de agosto, quando substituirá formalmente Diack, de 82 anos, que deixa o comando da IAAF depois de 16 anos. "Há tolerância zero ao doping no meu esporte. Eu vou manter isso com o mais alto nível de vigilância", disse Coe. É algo que vou querer discutir com prioridade".

Podiam voltar na eleição 211 federações, com o Afeganistão e o Irã ausentes e o Gabão suspenso. Ocorreram outras votações, incluindo as escolhas de Dahlan Al Hamad, Hamad Kalkaba Malboum e Alberto Juantore, além de Bubka, para a vice-presidência da IAAF.

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