Segredo dos cariocas: bons profissionais

Há consenso entre esportistas do Rio de que a reação carioca no Brasileiro não é fruto de nenhuma grande mudança de estrutura nos tradicionais clubes da cidade. Até o técnico campeão da competição mais importante do País, Muricy Ramalho, reconhece que os títulos de Flamengo, ano passado, e do Fluminense têm relação direta com a qualidade das pessoas envolvidas nos dois projetos e não com eventual reestruturação dos clubes.

Bruno Lousada, Sílvio Barsetti / RIO, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2010 | 00h00

Ao longo do Brasileiro, Muricy falou sobre o tema várias vezes. Chegou a dizer que "centro de treinamento e sala moderna de musculação não ganham título". O técnico do Fluminense enalteceu a equipe de profissionais que trabalhou no clube, entre jogadores e comissão técnica. "O Rio investiu em material humano e obteve resultado por dois anos. Mas a situação não é ideal", declarou Muricy, logo após a vitória do Flu sobre o Guarani, domingo, no Engenhão.

Para Vanderlei Luxemburgo, hoje no Flamengo, os clubes do Rio não podem se acomodar por causa das últimas conquistas. Sobre o vaivém do Rubro-Negro, campeão brasileiro em 2009 e quase rebaixado em 2010, Luxemburgo afirmou que a oscilação era previsível. "Se não investirem na estrutura física, com centros de treinamentos e academias com aparelhos de última geração, a tendência é de que fiquem nessa gangorra. Isso vale para todos os clubes", defendeu o treinador.

Carlos Alberto Parreira acredita que houve equilíbrio de forças entre Rio e São Paulo nos últimos anos graças aos parceiros dos clubes. "O Fluminense, por meio da Unimed, montou time caro e de ótima qualidade. Quem investe bem tem retorno." Campeão carioca pelo Botafogo em 1989, o ex-zagueiro Wilson Gottardo destaca que a elitização do futebol, com os grandes clubes cada vez mais distantes dos demais, permite um equilíbrio de forças entre os principais centros. Para ele, o Rio está reagindo, mas sem suporte de longo prazo.

CT do Flu. Peter Siemsen, novo presidente do Flu, conversou com a Unimed sobre a prioridade do clube para a próxima temporada: a construção de um CT, exigência de Muricy. Siemsen disse que já está sendo montada uma "operação de captação de recursos" para viabilizar o projeto. A diretoria trabalha com três fontes de receita para erguer um CT em três terrenos da zona oeste da cidade. A ideia inicial é obter cotas num total de R$ 3 milhões com "torcedores-investidores" do Fluminense.

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