Segregado na Europa, Chambers faz sucesso no Brasil

Dwain Chambers é um atleta segregado. Foi proibido pelo Comitê Olímpico Britânico de disputar Olimpíadas e tem sua participação vetada nos principais meetings europeus. Tudo por causa uma punição por doping que já cumpriu. Para continuar a correr, participa de provas periféricas do calendário mundial. Nesta quinta-feira, ganhou os 100 metros do GP Brasil, na pista do Engenhão, no Rio de Janeiro, em sua 4.ª e última disputa em duas semanas no País.

AMANDA ROMANELLI, Agência Estado

26 de maio de 2011 | 21h09

A experiência brasileira tem sido bem-sucedida. Venceu também os GPs de Belém, Uberlândia e, em São Paulo, no último domingo, conquistou a sua melhor marca no ano: 10s01. No Rio, manteve o ritmo e tentou bater o recorde de Daniel Bailey, o homem mais rápido que já correu na América do Sul. O velocista de Antígua e Barbuda fez 9s99 no GP de Belém, em 2009 - Chambers fez 10s05 nesta quinta.

"Eu realmente adoro correr no Rio", disse Chambers à Agência Estado, lembrando de sua primeira passagem pelo País, no ano passado. "Passei bastante tempo na praia (risos). Foi ótimo! Adoro o clima e a comida daqui. Tenho certeza de que a Olimpíada de 2016 será incrível".

O inglês de 33 anos foi o primeiro atleta a ser suspenso pelo uso do esteroide THG, criado pelo laboratório americano Balco para mascarar exames de doping. Cumpriu suspensão entre 2003 e 2005, tentou competir no rúgbi e no futebol americano, mas retornou definitivamente para o atletismo em 2008. Desde então, tornou-se campeão europeu e mundial indoor. Também disputou a final do Mundial de Berlim em 2009 - terminou em 6.º lugar. Para participar de todos esses eventos, precisou não só de suas marcas, mas também da ajuda de advogados.

Levou a disputa judicial até a mais alta instância, em busca de lugar na Olimpíada de Pequim, em 2008. O pedido foi negado pelo Tribunal Arbitral do Esporte, embora Dwain tivesse conquistado índice para os 100 metros e vencido as seletivas britânicas.

Tal situação incomoda até o técnico-chefe da Federação Britânica de Atletismo, Charles van Commenee, que desde que assumiu o cargo, em 2008, defende o corredor. "Na vida - que é maior que o esporte - todos merecem uma segunda chance", disse, em recente entrevista à imprensa inglesa. "E ele foi deixado no limbo, numa terra de ninguém".

O holandês já se mostrou favorável ao fim do banimento olímpico de Chambers, o mais rápido velocista do Reino Unido. Mas o atleta não diz se vai enfrentar nova batalha judicial. "Meus esforços estão concentrados em ir para o Mundial. Depois vou pensar nisso", explicou. "Afinal, já tenho 33 anos. Meu maior desafio é me manter inteiro, saudável".

Simpático, Dwain não se nega a comentar o passado. "Fiquei limpo e continuo veloz". E é verdade. Sua melhor marca pós-doping é 9s99, de 2010. A mesma da temporada de 2001, quando já tomava o coquetel que não só incluía THG, mas também eritropoietina, hormônio do crescimento e testosterona. Uma rotina que chegou a 300 tipos diferentes de drogas, conforme detalhou em sua autobiografia, "Race against me", lançada em 2009.

Dwain também se mostra conformado com o veto em provas como as da Liga Diamante. Poderia, nesta quinta, estar em Roma, dividindo a pista com Usain Bolt - seus tempos, ao menos, servem de credencial para isso. "Essa situação continua, mas não posso me importar. Tenho que me concentrar no meu trabalho, nas oportunidades disponíveis. Por sorte, tenho sido convidado para correr no Brasil, por exemplo. E estou muito grato por isso".

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