Peter Power/Reuters
Peter Power/Reuters

Segunda parte do temido relatório McLaren será divulgada nesta sexta

Investigação independente já apontou o envolvimento do governo russo no doping de seus atletas

EFE

08 de dezembro de 2016 | 11h24

A segunda parte do relatório McLaren, feito de forma independente, a pedido da Agência Mundial Antidoping (Wada), que apontou para práticas sistemáticas de doping no esporte da Rússia, será divulgada nesta sexta-feira.

O professor Richard McLaren, da Western University do Canadá, apresentará dados adicionais da investigação, em Londres. A expectiva é de que novas modalidades constem no documento, assim como os nomes de atletas não mencionados na primeira parte.

O relatório apontou que durante os Jogos Olímpicos de Inverno, em Sochi, o laboratório antidoping da cidade e o de Moscou encobriram o uso de substâncias proibidas por parte de desportistas da Rússia. Exames positivo em cerca de 30 diferentes esportes teriam sido manipulados.

A revelação, às vésperas do início dos Jogos do Rio de Janeiro, levou à Rússia a uma defesa incessante sobre inocência. A tentativa de provar que as denúncias são faltas, aliás, segue, embora o presidente Vladimir Putin tenha substituído no mês passado o ministro dos Esportes, Vitaly Mutko, principal acusado no caso.

Uma comissão independente montada pelo governo do país, liderada por Vitaly Smirnov, descartou qualquer "apoio estatal ao doping".

A investigação contra a Rússia começou em 2010, quando Vitaly Stepanov, funcionário da agência antidoping do país, começou a atuar como informante da Wada. Demitido no ano seguinte, ele ainda viu a mulher, a fundista Yuliya Stepanova, ser suspensa por dois anos do esporte.

Em reportagem exibida na Alemanha, em 2014, ambos garantiram a existência de um esquema de doping patrocinado por autoridades russas, com envolvimento da agência antidoping local, o laboratório de Moscou, a polícia secreta nacional, além da Federação Internacional de Atletismo (IAAF).

Os primeiros a saírem de cena por causa das denúncias foram o filho do senegalês Lamine Diack, Papa Massata Diack, consultor de marketing IAAF, o tesoureiro da entidade Valentin Balajnichev, que presidia a federação de atletismo da Rússia.

A Wada criou uma comissão independente para investigar as denúncias e, depois disso, pediu que todos diversos desportistas russos que participariam dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro fossem suspensos. O COI negou, retirando do evento apenas quem estava sob suspeita ou já tinha sido flagrado anteriormente. Todo o atletismo do país, por exemplo, ficou fora.

O diretor do laboratório de Moscou, Grigori Rodchenkov foi tirado do cargo, a agência antidoping do país acabou sendo suspensa. Na IAAF, o vice-secretário-geral, Nick Davis, também caiu, enquanto a comissão montada pela Wada confirmava a existência de doping sistemático.

Para o COI, o relatório McLaren atingiu o coração dos Jogos e foi um ataque à sua integridade, por isso, estendeu as medidas provisórias contra a Rússia, anunciando que vai punir duramente os acusados que conseguiram participar dos Jogos do Rio.

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