Seis meses da tragédia. E nada foi feito

Implosão não ocorreu e famílias de três vítimas não foram indenizadas

Tiago Décimo, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2008 | 00h00

Há exatos seis meses, o governador baiano, Jaques Wagner (PT), anunciou a iminente implosão da Fonte Nova, em Salvador. O anúncio foi fruto da comoção que atingiu os baianos dois dias antes, em 25 de novembro, quando parte do anel superior do estádio ruiu, durante partida do Bahia pela Série C do Brasileiro, causando a morte de sete torcedores e ferimentos em nove. Até agora, porém, a implosão não passou do discurso. Hoje, já se considera até que apenas o anel superior do estádio seja demolido e reconstruído, como admite o chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), Rafael Vasconcelos. A primeira camada de arquibancadas passaria apenas por uma reforma. De oficial, apenas a promessa de, até o fim de junho, sete empresas e consórcios apresentarem idéias. Foram autorizadas a participar da concorrência o Consórcio Plurisport, formado por oito empresas lideradas pela Pluribank S.A., e as empresas Ernst & Young Associados, KPMG SF, Ponto Z Arquitetura, Paisagismo e Consultoria, Setepla Tecnometal Engenharia Ltda., Tecnosolo S.A. e Urplan Grupo de Planejamento, Urbanismo e Arquitetura Ltda.. A seleção do melhor projeto será feita por técnicos do Grupo de Trabalho da Copa 2014, formado por representantes de secretarias do Estado.Enquanto isso, a Fonte Nova continua sendo morada para grupos de sem-teto e levando risco a quem se aventura a percorrer seus arredores. Pequenos blocos de concreto soltam-se das armações enferrujadas da arquibancada, como atesta um dos moradores do local, Tiago Souza Silva, de 22 anos, há um mês instalado na entrada 11 do estádio. "A gente só ouve ?as pedras? caírem", diz. Ele vive ali com um tio, três primos e duas crianças, de 1 e 3 anos.INDENIZAÇÕESTrês das sete famílias de vítimas fatais do acidente ainda não receberam as indenizações, de R$ 25 mil, do seguro-torcedor que a CBF embute no preço dos ingressos. Segundo a assessoria da Superintendência de Desportos da Bahia (Sudesb) a demora está associada a disputas judiciais. Um dos casos envolve a família do autônomo Anísio Marques Neto, que tinha 27 anos quando morreu na tragédia. Ele teria três filhos, de três mulheres. A companheira fixa, mãe do filho mais velho, porém, recorreu à Justiça para que as outras façam exame de DNA, para comprovar o parentesco. Se a paternidade for confirmada, cada criança terá direito a uma parte do valor total.Os familiares também aguardam a liberação, prevista para as próximas semanas, da primeira parcela da pensão especial às vítimas da tragédia, regulamentada por decreto do governador em 24 de abril. Ela prevê o pagamento de salários no mesmo valor que as vítimas recebiam na época do acidente. No caso dos autônomos, como Marques Neto, o pagamento será de um salário mínimo.

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