Seleção chega a Durban e ignora a torcida

Delegação é protegida por 120 policiais e só Kaká responde a acenos dos cerca[br]de 150 fãs presentes

Sílvio Barsetti, Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2010 | 00h00

ENVIADOS ESPECIAIS / DURBAN

Uma operação que mobilizou cerca de 120 policiais, com interdição de ruas e cordões de isolamento, mudou a rotina do bairro de Umhlanga, em Durban, para receber a seleção brasileira. Os jogadores chegaram ao Protea Hotel Umhlanga Ridge às 22h15 (horário local), desceram do ônibus rapidamente e sequer acenaram para um grupo de 150 torcedores que, à distância, gritavam pelo nome de cada um deles.

Kaká foi a exceção. Olhou para o lado e agradeceu. O entorno do hotel estava totalmente tomado por carros de polícia com sirenes ligadas, o que poderia sugerir um encontro entre chefes de Estado.

Aos poucos, os jogadores saíam do veículo, a maioria com fone de ouvido, em direção ao lobby do hotel.

Minutos antes, uma moradora do bairro discutiu com policiais porque foi impedida de atravessar a rua com um lanche que levava para casa.

Ao lado do hotel, curiosos tentavam identificar das janelas de prédios quem eram os personagens daquela noite agitada e atípica.

Ingresso difícil. Enquanto a seleção não chegava, um grupo de 17 brasileiros conversava do outro lado da rua. Todos moram em Angola e viram os dois primeiros jogos da Copa.

O grupo queria saber mais sobre o time e acreditava ser possível conseguir uma foto com Kaká. Eles vão amanhã ao Moses Mabhida Stadium ver o confronto com Portugal.

Para a partida de estreia, porém, alguns estavam sem ingresso e pagaram US$ 800 aos cambistas. "Para o jogo com Portugal, dois colegas não têm a entrada ainda. Já ouvimos dizer que estão pedindo US$ 1,2 mil por ingresso", contou Carla Rocha, nascida no Recife e que vive atualmente em Luanda.

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