Seleção de futebol, o esporte número 1, divide Reino

Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte não aceitam fazer parte do combinado juntamente com a Inglaterra

Giuliander Carpes,

27 de julho de 2011 | 01h29

O esporte número 1 da Grã-Bretanha divide o Reino Unido um ano antes da Olimpíada. Há apenas uma vaga para o país no torneio de futebol dos Jogos de Londres, mas quatro seleções. A Inglaterra anunciou que convocará um combinado com jogadores da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte para jogar em casa. O problema é os vizinhos aceitarem.

O futebol é a modalidade mais importante das quatro nações e um dos poucos esportes nos quais cada uma tem a sua tradicional seleção - isso também ocorre no rúgbi e no cricket, por exemplo, mas eles não estarão nos Jogos de 2012. Unificar as quatro em torno de uma bola está praticamente fora de cogitação para países que ostentam rivalidade histórica com os hegemônicos ingleses.

A decisão foi tomada de forma unilateral pela Associação Inglesa de Futebol (FA, na sigla em inglês), embora o anúncio da Associação Olímpica Britânica (BOA) tenha mencionado acordo entre todas as federações. Causou indignação nos vizinhos.

"O torneio olímpico não nos diz respeito. Estou absolutamente pasmo com este anúncio. Não sei nada sobre tal acordo", afirmou George Peat, presidente da Associação Escocesa de Futebol. "A FA não tem autoridade nenhuma para falar em nosso nome. Eles não representam o futebol de Gales", exasperou-se Phil Pritchard, chefe da federação galesa.

A FA insiste que tem cartas de cada uma das federações que colocam seus jogadores à disposição da "seleção da Grã-Bretanha". "A Associação Inglesa de Futebol está comprometida a dar espaço para os outros países do Reino Unido no time", disse Alex Horne, secretário-geral da entidade. "Está claro que, imbuídos no espírito olímpico, devemos ter um critério de seleção não discriminatório para todos os países."

O problema é que, mesmo que convoque jogadores da Escócia, Gales e Irlanda do Norte, não há garantia nenhuma de que estes atletas aceitem fazer parte da seleção britânica. A atacante escocesa Julie Fleeting, por exemplo, já disse que não aceitaria um convite para atuar no inédito time. "A Olimpíada é um palco maravilhoso e todo atleta gostaria de participar. Mas, em primeiro lugar, sou jogadora da Escócia", explicou.

O ministro dos esportes britânico fez um pedido encarecido para que escoceses, galeses e irlandeses do norte repensem suas posições. "Por favor, coloquem a política de lado", suplicou Hugh Robertson.

Mas dirigentes dos países menos influentes da Grã-Bretanha têm receio de que a ideia seja apenas o primeiro passo para a Inglaterra usar sua tradição centralizadora e influência internacional para acabar com o futebol dos vizinhos.

"Se esta união for colocada em prática, talvez não haja mais uma seleção da Escócia no futuro", ponderou Craig Brown, técnico da equipe de 1993 a 2001. "Prefiro perder como escocês do que vencer como Grã-Bretanha", concluiu.

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