Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Seleção brasileira de hóquei sobre grama quer medalha no Pan

Com vaga olímpica assegurada, time enfrenta o Canadá

MARCIO DOLZAN / ENVIADO ESPECIAL A TORONTO, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2015 | 12h04

A seleção brasileira de hóquei sobre grama foi para os Jogos Pan-Americanos de Toronto com dois objetivos. Um deles, o mesmo de qualquer atleta que está em Toronto, era brigar pelo pódio. O outro, mais importante, era terminar no mínimo entre os seis primeiros colocados e classificar o Brasil para os Jogos do Rio, em 2016. Com a vitória nos pênaltis sobre os Estados Unidos, na última terça-feira, o time chegou à semifinal e garantiu a vaga na Olimpíada. Nesta quinta, às 20h30 (de Brasília), vai tentar assegurar uma medalha enfrentando o Canadá.

A vaga olímpica, claro, foi comemorada pelas famílias dos 19 atletas da seleção, que estão há mais de quatro meses viajando. Eles passaram um período de 13 semanas na Europa e, de lá, voaram diretamente para o Canadá. Nesse período, a comunicação com pais, amigos e namoradas tem se limitado a contatos telefônicos ou pela internet.

O pai do defensor Bruno Sousa, o gerente de hotel Antônio Sousa, deve ser o mais feliz. Nascido em Macau, na China, ele foi jogador da seleção sub-21 de Macau e ensinou o filho a praticar o esporte. "O sonho dele era ser um atleta de hóquei e um atleta olímpico. Isso acabou não acontecendo pelas circunstâncias da vida, mas hoje ele vê isso se refletindo no filho", contou Bruno.

O jogador esteve em campo na partida que garantiu o Brasil nos Jogos Olímpicos e disse que o que se sucedeu à classificação foi emocionante. "Meu pai e eu temos um amigo em comum que trabalha na organização do Pan. Quando acabou o jogo, ele estava aos prantos. Pegou o telefone e falou pra eu ligar pro meu pai. Foi uma emoção muito grande".

Os pais de Bruno se separaram quando ele era ainda pequeno. O jogador passou a morar com a mãe, Margareth, em João Pessoa, na Paraíba, e uma vez por ano ia passar um mês de férias com o pai, em São Paulo. Na capital paulista, praticava hóquei na Associação Casa de Macau. "Eu jogava numa quadra de futsal, de taco, madeira. Muito pequena, devia ter no máximo 20 metros, enquanto o campo de hóquei tem 94 x 55", recordou. "Mas eu adorava".

Bruno conta que se apaixonou pelo esporte. "Com sete anos eu cheguei a brigar com a minha mãe porque queria ir morar com meu pai para praticar hóquei", relembrou. "Mas acabei ficando". A mudança só viria a acontecer em 2004, quando a mãe se mudou para Campinas. "Foi o momento que decidi que iria morar em São Paulo para começar a praticar definitivamente o hóquei".

CARREIRA

Em 2007, Bruno ingressou na seleção brasileira de hóquei que disputou o Pan do Rio. Inexperiente e com nível bem inferior às demais, a equipe perdeu todas as partidas. A primeira vitória em um Pan veio somente na semana passada, quando o time fez 1 a 0 sobre o México pela segunda rodada.

Na avaliação de Bruno, as vitória sobre o México e o triunfo nos pênaltis sobre os Estados Unidos são fruto da abertura do esporte para o olhar estrangeiro. "Além de uma renovação do grupo, adquirimos experiência, trouxemos técnicos de fora e os brasileiros também começaram a sair para aprender. Tínhamos técnica, mas não tínhamos nada de parte tática".

O próprio jogador decidiu ir para o exterior. Atleta profissional do Huizen, da segunda divisão holandesa, ele é exceção em uma seleção formada basicamente por jogadores que precisam conciliar a vida profissional ou de estudos com os treinos. "Pra gente é um pouco difícil a exportação de jogadores porque em alguns lugares na Europa, como na Holanda, você só pode jogar se o clube pagar o visto de trabalho, que custa 28 mil euros, ou se você tiver dupla cidadania", explicou. "Eu tenho a cidadania portuguesa graças ao meu pai, que nasceu em Macau e era colônia portuguesa". A classificação do Brasil também passou pelo seu Antônio.

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