Seleção embala sonho de dois meninos

CÓRDOBA

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2011 | 00h00

O volante Rômulo, do Vasco, e o lateral Bruno Cortês, do Botafogo, vivem momento especial na seleção brasileira. Desconhecidos do grande público, ainda são pouco valorizados até mesmo em seus próprios clubes.

Rômulo, de 18 anos, é titular absoluto do Vasco, mas nem sequer tem carro próprio. Ele vai aos treinos de carona com os amigos. Seu objetivo no momento, no entanto, não é ter um veículo, mas sim uma casa para acomodar os pais, que moram em Picos, no Piauí, e, mesmo longe, morrem de orgulho. Ele vive em um apartamento comum no bairro de Recreio, no Rio. Até poucos meses, morava em São Cristóvão e ia a pé para o treino.

Uma vida tão comum, diferente daquela que as estrelas da seleção estão acostumadas, não faz com que o garoto vindo do modesto Atlético de Porto, de Pernambucano, se considere inferior. Pelo contrário. Ele esbanja humildade, mas não quer ser só mais um no time. Por isso ele já avisou ao treinador que pode jogar como um volante que auxilia o lado direito, mas pode também atuar no meio, quase como terceiro zagueiro.

Do povão com orgulho. Outro símbolo de humildade é o lateral Bruno Cortês. O garoto de sorriso fácil acaba de se casar e realizar a festa em uma popular casa de fast food. "Eu sou assim mesmo. Me sinto bem assim", disse o lateral, que ontem saiu sozinho do treino, mas antes virou assunto entre os companheiros por causa do diferente corte de cabelo. "Eu gosto do meu estilo. É um corte maneiro, de alegria. Todo mundo gosta e eu faço sucesso assim", brincou o jogador, para logo em seguida soltar uma gargalhada de quem está curtindo este momento inimaginável na carreira há pouco tempo.

No início do ano, Cortês estava no Nova Iguaçu, time que vive subindo e descendo entre a primeira e a segunda divisão do Rio. Em pouco tempo, mostrou desenvoltura e uma qualidade que chamou a atenção de Mano.

A lateral-esquerda ainda está aberta na seleção, por isso o menino do subúrbio carioca sonha alto. Entre um sorriso e outro, um olhar tímido e assustado com a reviravolta que sua vida deu em poucos meses, Bruno Cortês sonha em conquistar uma vaga definitiva na equipe brasileira.

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