Seleção frustra quem a esperava no hotel em Salvador

Chefia da delegação brasileira optou por entrar com o grupo pela área de serviço

ALMIR LEITE E SÍLVIO BARSETTI - Enviados especiais, Agência Estado

20 de junho de 2013 | 19h45

SALVADOR - A seleção brasileira frustrou cerca de 300 pessoas, muitas delas crianças e adolescentes, que esperavam a chegada da delegação no Hotel Stella Maris, no final da tarde desta quinta-feira, em Salvador. Na capital baiana, o Brasil enfrenta a Itália no sábado, pela última rodada do Grupo A da Copa das Confederações.

A seleção brasileira viajou de voo fretado de Fortaleza, onde venceu o México na quarta-feira, e, já na pista do Aeroporto Luis Eduardo Magalhães, seguiu de ônibus para a concentração. Mas a chefia da delegação optou por entrar com o grupo pela área de serviço, local do almoxarifado, cozinha e lavanderia do hotel. Houve gritaria e choro dos que imaginavam que o ônibus fosse parar em frente à área da recepção, onde havia grades de proteção para impedir uma proximidade maior entre público e jogadores.

A agente de turismo Ligia Cristina Silva Croesy foi ao hotel com parentes e amigos do bairro na expectativa ao menos de poder tirar uma foto à distância dos jogadores. Ficou decepcionada e chegou a chorar. "A gente fica esperando seis horas e eles entram pela cozinha. É falta de respeito", declarou. "Não dão o mínimo de atenção para a gente e quem faz a seleção somos nós", prosseguiu ela, consolada pelos vizinhos. "Olha isso aqui, tem um monte de crianças, que mal elas poderiam fazer a eles?"

Perto dela, Michele Souza da Silva, de 13 anos, chorava debruçada no capô do carro de sua mãe, Maria Cecília. As duas percorreram mais de uma hora, do bairro de Guarujá ao Stella Maris, também para tentar um autógrafo ou foto com atletas. Não conseguiram. A garota estava inconsolável, enxugando as lágrimas com uma bandeira do Brasil, porque não viu de perto seu ídolo Neymar. "Droga, velho, não consegui ver ele de novo", disse. Ela contou que ano passado foi a São Paulo para tentar fazer o mesmo num jogo do Santos. Mas também não teve êxito.

A chegada da delegação ao hotel, apesar de todo o aparato de segurança, com dezenas de motoqueiros da Polícia Militar e Polícia Federal, além de outros carros, foi tranquila. Nos jardim do local, cerca de 30 pessoas erguiam cartazes em que anunciavam a greve do setor hoteleiro da Bahia, com suas reivindicações. Por causa do contratempo, o Stella Maris contratou 150 funcionários de apoio para se revezarem em três turnos nos quatro dias que a seleção vai permanecer em Salvador. Todos já receberam orientação do hotel de que não devem pedir nada aos jogadores da seleção: fotos, autógrafos, brindes, etc.

A delegação brasileira ocupa 60 suítes de todo o quarto andar do hotel. Ao todo, o Stella Maris dispõe de 334 quartos. Está lotado, mas os hóspedes comuns não vão ter contato com nenhum atleta. A diária mais barata no local sai a R$ 655,00 - a Fifa cobre a despesa de até 40 apartamentos destinados às seleções participantes da Copa das Confederações.

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