Seleção masculina de futebol não pode vacilar diante da Bielorrússia

Grupo faz segundo jogo depois do susto na partida de estreia contra o Egito; Mano, mais uma vez, aposta em Neymar

MATEUS SILVA ALVES , ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2012 | 03h03

MANCHESTER - Depois do susto que levou no segundo tempo da partida contra o Egito, quando uma fácil vitória por 3 a 0 virou um sofrido 3 a 2, o Brasil terá a chance de mostrar se aprendeu a lição em seu segundo jogo na Olimpíada de Londres, às 11h (horário de Brasília), contra a Bielorrússia, em Manchester. Em caso de vitória sobre os europeus somada a um empate ou vitória do Egito sobre a Nova Zelândia, no outro jogo de hoje pelo Grupo C, às 8h, a seleção já chegará à rodada final da fase de classificação com vaga garantida nas quartas de final.

Depois da partida de Cardiff, Mano se queixou da grande quantidade de bolas perdidas no ataque e do excesso de individualismo de alguns jogadores (ele não deu nomes, mas é evidente que o principal deles é Neymar). Tudo no segundo tempo, quando a seleção parou de jogar e "ressuscitou" o time egípcio. Além disso, o técnico reclamou que seus laterais foram várias vezes ao ataque ao mesmo tempo, o que ele considera um erro.

"Felizmente com vitória é sempre mais fácil fazer correções", disse ontem o treinador. "Como não temos tempo para treinos longos, fazemos palestras, apontamos os erros e reforçamos os acertos para que a equipe cresça."

Nos Jogos Olímpicos, as equipes têm apenas dois dias entre um jogo e outro (na Copa do Mundo, por exemplo, normalmente são quatro) e, dessa maneira, só resta à comissão técnica recuperar os atletas no dia seguinte à partida e poupá-los na véspera do próximo compromisso.

Mano espera que, contra a Bielorrússia, uma equipe que costuma jogar bem fechada na defesa (e deve se fechar ainda mais contra o Brasil), a seleção faça exatamente o que fez no primeiro tempo da estreia, em que tocou a bola com paciência no campo de ataque para confundir a defesa africana, e nada do que fez na segunda etapa. Ele lembrou o amistoso contra o México, em junho, quando o Brasil esbarrou em uma defesa bem montada e acabou sendo derrotado por 2 a 0, como exemplo do que não deve ser feito agora. "Logo que acabou aquele jogo, disse que ele serviria de lição para nós. Temos de ter paciência, sem tanta pressa para chegar ao gol."

Fichas no craque. Como sempre, o técnico aposta alto em Neymar. Contra o Egito, o craque do time teve bons momentos no primeiro tempo, marcando até um gol, mas, depois do intervalo, irritou Mano, e também os torcedores da seleção, com várias tentativas de arrancada que não deram em nada, o que motivou as críticas do treinador da equipe egípcia. Pois ontem Mano endossou as críticas à estrela da companhia.

"Penso que as cobranças sobre o Neymar são proporcionais ao que ele fez nos últimos meses, ou melhor, nos últimos anos", afirmou o técnico. "Ele precisa aprender a conviver com isso e fazer alguns ajustes para voltar a ser aquele jogador de que nós precisamos. Tenho certeza de que ele voltará a ser."

Para Mano, e para a seleção, é melhor que ele volte mesmo, e logo. Com Neymar jogando o que sabe, ficará muito mais fácil furar a defesa da Bielorrússia.

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