Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Seleção masculina de rúgbi XV pode fazer história neste sábado

Brasil enfrenta no Spac a Colômbia e, caso vença, ganhará o troféu do Sul-Americano 6 Nações pela primeira vez

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2018 | 07h10

A seleção brasileira masculina de rúgbi XV pode fazer história neste sábado, às 15h, quando pisar no campo do Spac, em São Paulo, para enfrentar a Colômbia pelo Sul-Americano 6 Nações – a RedeTV! transmite ao vivo. Se vencer, conquistará o seu primeiro título continental. Em campo estará João Luiz da Ros, o Ige, que vai fazer a sua 72.ª partida oficial pelos Tupis.

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O veterano de 35 anos vai se despedir da seleção e quer o título para coroar a evolução do Brasil na modalidade. “Nunca pensei em marca nenhuma, mas fico super honrado de poder tê-las conquistado. A escola antiga do rúgbi diz que o coletivo é mais importante que o individual. E eu sou assim, valorizo o trabalho do grupo. Eu sei o trabalho que meu companheiro faz em campo para eu poder pontuar”, disse.

Nas lembranças de Ige estão muitas derrotas para diversos adversários, mas também o resultado histórico de sábado passado, quando pela primeira vez o Brasil ganhou da Argentina, uma das maiores potências do mundo no rúgbi, por 36 a 33. “Paro extremamente feliz. Vivi muita coisa ruim, no primeiro jogo a gente perdeu, tomamos um placar quase de recorde contra a Argentina, em 1998, meu segundo jogo na seleção. Mas a gente conseguiu ir diminuindo essa diferença com o tempo e foi incrível ver acontecer uma vitória. Me despeço da seleção, mas saio pela porta da frente.”

Na última vez que enfrentou a Colômbia, o Brasil ganhou por 44 a 0, em 2015. Mas, para o técnico Rodolfo Ambrosio, argentino que aceitou o desafio de tornar a seleção forte, não se pode subestimar qualquer rival. “Para mim será um jogo muito difícil. Temos a pressão de vencer e os jogadores vão fazer o máximo. Não podemos deixar escapar essa oportunidade”, avisou, pregando seriedade.

A vitória sobre a Argentina repercutiu bastante. “A gente sempre imagina que vai chegar ao lugar mais alto possível. É para isso que trabalhamos. Vim para cá com o desafio de tentar fazer crescer o esporte no Brasil e estamos dando um passo de cada vez. O mundo ficou surpreso com a vitória do Brasil sobre a Argentina, pois chegou mais cedo do que imaginávamos”, revelou.

No projeto, a intenção é classificar a equipe para a Copa do Mundo de 2023 – vale lembrar que o rúgbi XV é diferente do Sevens, que conta com menos jogadores em campo e faz parte do programa olímpico.

Para Ige, sua despedida dos campos pela seleção tem tudo para ser especial. “Me sinto muito orgulhoso. É uma honra enorme poder ter feito parte disso. Fico muito feliz, é uma lástima que tantos outros que viveram a minha geração não puderam estar presentes neste momento, mas trabalharam para isso também”, comentou. Ele sabe que deixa o caminho aberto para Francisco e Joaquim, seus filhos e que já se encantam pela modalidade da bola oval. “Eles vão tomar à força esse legado.”

TRÊS PERGUNTAS PARA...

Eduardo Mufarej, presidente do Conselho da Confederação Brasileira de Rugby

1. Qual a sensação de estar colhendo os frutos de todo o planejamento do rúgbi nos últimos anos?

Acho que temos que combinar satisfação com cautela, nosso esporte ainda é pequeno e estamos em uma primeira fase de crescimento partindo de uma base mais baixa.  O que foi realizado é de fato algo de se orgulhar mas temos a plena consciência de que tem muito esforço e desafios pela frente.  Não queremos ter um voo de galinha mas sim ajudar a construir algo que se consolide para as futuras gerações.

2. Como era a realidade quando você chegou na CBRu e como é agora?

Quando chegamos nosso foco era dar condições mínimas aos atletas, não tínhamos nenhuma estrutura, orçamento ou patrocinadores.  Logo no início tivemos que manter o esporte na base de doações de gente que acreditava no projeto e com o tempo fomos evoluindo institucionalmente e atraindo novos apoios e patrocinadores. 

Como éramos pequenos resolvemos investir em governança e transparência, algo que poucas entidades esportivas faziam. Tivemos o beneficio da inserção do rugby nos jogos olímpicos e dos apoios governamentais como COB e ME, do crescimento da difusão da Copa do Mundo de rugby no Brasil e do apoio da mídia, que criou um espaço para divulgação.

Atualmente nossa condição é bastante mais favorável e nossas seleções disputam torneios em todas as partes do mundo, o que é essencial para o avanço de resultados esportivos. Nesse passado recente também nos tornamos país estratégico para a World Rugby (entidade máxima do esporte), o que ajudou a ampliar os investimentos e presença em competições. 

3. Até onde o rúgbi pode chegar no Brasil?

Gosto de pensar nos principais objetivos, para tangibilizar o sonho, se ele fica muito distante não chegamos... na minha visão as duas coisas mais importantes que precisam acontecer é a consolidar o nosso caminho para a participação do Mundial de 2023 na França e ampliar o trabalho de base e desenvolvimento de novos atletas e treinadores. Se conseguirmos esses dois feitos poderemos sonhar mais longe.

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