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Seleção natural

Muitos serão chamados e poucos os escolhidos. O preceito bíblico, avaliado sob ponto de vista laico, aplica-se à seleção, na fase de afunilamento da escolha do grupo para a Copa de 14. Dezenas de jogadores tiveram oportunidades, desde 2010, para garantir uma camisa no Mundial em casa. A maioria passou batido, de acordo com os critérios de avaliação dos técnicos - primeiro, Mano Menezes e agora, Felipão. Alguns foram inteligentes para perceber a oportunidade de não perder o bonde. Bonde?! Essa é velha. Não perder o metrô...

ANTERO GRECO, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2013 | 02h04

O vacilo de uma dupla de jovens talentos chama a atenção. Acertou, falo de Pato e Lucas. Ambos fazem parte de safra recente do nosso futebol e despontaram como candidatos a ídolos, tiveram logo chances com a amarelinha e se mandaram cedo para o exterior, em busca de sucesso e afirmação.

Que não vieram. Pato tem 24 anos e parece veterano, ao menos no tanto de contusões que suportou no Milan e, em menor proporção, no pouco tempo de Corinthians. O rapaz já tem mais horas de enfermaria e banco do que muito atleta que dobrou a casa dos 36 ou por aí. Lucas está com 21, e em 2012 o São Paulo o negociou com o PSG por uma grana alta, coisa de 100 milhões de reais, em valores de hoje. Está na França desde janeiro e não deslanchou.

Mesmo assim, contaram com boa vontade de Felipão. No mínimo no que se refere as convocações. O nome de Lucas apareceu em quase todas as listas do ano; o de Pato, em menos, embora com regularidade. Não foram titulares com frequência, mas conviveram com o chefe o suficiente para entender o que se esperava deles. Pelo visto, ficaram nas nuvens e devem quebrar a cara.

A atuação no amistoso de ontem com Zâmbia levou o treinador a torcer o nariz para os moços. A complacência do pentacampeão mundial durou meio tempo, período em que Lucas e Pato flanaram no belo Ninho do Pássaro, em Pequim, e quase não tocaram na bola. Baixou-lhes outra vez indolência de torrar a paciência de monges budistas. Imagina, então, quanto dura a de um gaúcho esquentado. Hulk e Jô os substituíram - e correram, combateram, agitaram, ciscaram. Enfim, mostraram que de bobos não têm nada.

A vida é dinâmica, surpreende, concede e tira ocasiões para todos. Por isso, não cravo que os dois são páginas viradas na seleção. Sei lá, tem sempre o imponderável que pode ajudá-los. O previsível, porém, indica que andam em baixa. Acontece, paciência; em ação a seleção natural, comum às espécies. Eles que tratem de recuperar espaço a partir de bom desempenho nos respectivos clubes, com os quais estão em débito.

Bola pra lá e pra cá. A seleção se dispersou e só volta a reunir-se em novembro. Por aqui, a bola não parou em nenhum instante, pois o calendário espremido não permite. Não deu tempo nem para Rogério Ceni digerir o pênalti perdido diante do Corinthians e lá tem o São Paulo desafio delicado, no Morumbi, diante do Náutico.

Você acha que sou alarmista do classificar como "delicada" partida contra o lanterna? Sabia que se trata de casca de banana total. Os pernambucanos estão condenados à Série B, não há salvação. Justamente por tal motivo têm jogado de maneira descontraída, abusada e roubaram pontos de Corinthians, Santos e Ponte Preta para ficar só nos paulistas. Empate já terá efeito desastroso para a turma tricolor. Nem pensar.

O trio que acabei de citar na teoria não terá vida fácil. A Ponte, mais pra B do que pra A, recebe o Coritiba e pode trazê-lo para perto da zona de afundamento. O Santos, 39 pontos e que até hoje não pescou direito o que espera do campeonato, recebe o Inter, com 40 e turbulências idênticas. É das derradeiras chances de Claudinei Oliveira e seus pupilos brigarem pelo sonho da Libertadores. O Corinthians visita o Grêmio. Vai mais um 0 a 0 aí? Não duvido.

E a Lusa (34) pode trocar de posto com o Criciúma (32) na base da tabela. Ou, quem sabe?, aprontar das suas e espantar fantasmas. Tomara.

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