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Seleção precisa de revolução para não cair agora

PAULO CALÇADE

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2014 | 02h03

Quanto mais intenso se torna o Mundial, mais a seleção brasileira se distancia dele. Ao contrário da Copa das Confederações, onde havia uma clara linha de evolução, jogo a jogo, agora o time escancara sua agonia, atemorizado pela obrigação do título. A realidade tem sido cruel demais com o tamanho da missão, expondo em forma de emoção defeitos técnicos e táticos.

A graça do futebol reside na dificuldade de explicá-lo. O essencial vira supérfluo, a solução de ontem é o defeito de hoje. Mas é necessário discutir os motivos que levaram a equipe a um nível tão baixo. Por que a seleção travou?

Os problemas podem ser explicados por qualquer um dos pilares do rendimento. As partidas têm mostrado como o fator emocional tem contribuído para destruir a mobilidade tática, excelente um ano atrás.

A defesa continua insistindo em lançar bolas para o último terço do campo. Seria por falta de confiança nos companheiros responsáveis pela transição defesa-ataque? Ou algo ainda pior, a surpreendente inexistência do meio de campo brasileiro?

Felipão possui problemas demais no setor e precisa recriá-lo. Entre defesa e ataque existe um vazio, que vai sendo ampliado a cada confronto. Talvez seja necessário alterar também o sistema, mexer na disposição tática para encorpar o setor.

Se o futebol de Paulinho desapareceu, o mesmo acontece com o ainda titular Oscar. Hulk é um atacante que volta para marcar pelos lados e Neymar se mantém como esperança. É pouco, não é preciso ir muito longe para chegar a Fred e perceber sua falta de mobilidade. E como ele tem facilitado a vida de seus marcadores. Trata-se de uma vaga aberta, que poderia ser revertida para um jogador de meio de campo.

A esta altura do campeonato, porém, é verdade que as trocas podem não significar grande coisa. Não será fácil encontrar uma cabeça fria em um ambiente tão tenso e sofrido como o da seleção.

O grupo, e não apenas os 11 que vão a campo, precisa de um fato novo, de algo que o faça se soltar.

Tudo o que puder ser feito para ajudar a seleção brasileira a reconquistar um pouco da confiança perdida no tempo, entre a Copa das Confederações e o Mundial, terá retorno imediato.

Essa moçada precisa de uma faísca capaz de reacender a capacidade de competir. O jogo contra o Chile foi extremamente desgastante, moeu o físico, destroçou o mental e mostrou que desse jeito o Brasil será apenas o anfitrião da final de sua Copa do Mundo.

O futebol ruim e confuso confinou a equipe na prisão da responsabilidade. Emocionalmente, a seleção é um fracasso. É preciso tentar libertá-la.

Uma das grandes qualidades de Felipão sempre foi a gestão de grupos em períodos curtos e tensos como o de agora. O momento é mais delicado e preocupante do que parece, pois até o comandante parece sem forças.

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