Seleção sem rumo

Comando da CBF demite Mano Menezes e promete anunciar novo treinador apenas no início de janeiro; Felipão e Tite despontam como favoritos

ALMIR LEITE, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h04

Mano Menezes foi vítima de sua própria insegurança, mas acima de tudo foi destituído do cargo de técnico da seleção brasileira por ter sido contratado pelo antigo chefão da CBF, Ricardo Teixeira. O trabalho do treinador que ambicionava levar o Brasil ao sexto título mundial em 2014 foi encerrado ontem de maneira sumária. Ele foi demitido após uma rápida reunião na sede da Federação Paulista de Futebol, entre o presidente da CBF, José Maria Marin, Marco Polo del Nero, presidente da entidade paulista e vice da CBF e que participa de todas as decisões envolvendo a seleção, e Andrés Sanchez, diretor de seleções da CBF.

Oficialmente, Mano saiu porque, terminada a temporada da seleção brasileira, a cúpula da CBF chegou à conclusão de que é preciso "estabelecer nova metodologia e novo planejamento'' a partir de 2013, para que a equipe tenha êxito na Copa das Confederações e na Copa do Mundo. A realidade, porém, é que a demissão era planejada há meses.

Mais precisamente desde março, quando Marin assumiu a CBF após a renúncia de Teixeira. Para se livrar, ao menos publicamente, da pecha do continuísmo administrativo, ele foi convencido por alguns homens de sua confiança, entre eles Del Nero, a fazer mudanças no estilo de conduzir a entidade.

A aproximação com federações e clubes faz parte dessa estratégia. O afastamento de funcionários da entidade ligados a Teixeira também. Mas faltava mexer naquilo que mais interessa ao público, a seleção.

Marin nunca teve simpatia pelo trabalho de Mano, mas como demiti-lo de cara não seria uma medida salutar, começou a pressionar o treinador. Em determinado momento, vetou a convocação de Ronaldinho Gaúcho, várias vezes disse que treinador vive de resultados e também exigiu o ouro olímpico que acabaria por não vir.

Mano se incomodou. Algumas vezes, o treinador criticou de forma velada em suas declarações a intromissão do presidente. Chegou a dizer que Marin agia como torcedor e em outubro, em entrevista ao Estado, reconheceu que os palpites do cartola causavam "constrangimento'' e arrematou: "Então, é bom deixar que cada um faça a sua parte''.

O dirigente não gostou, como não havia gostado de outras declarações do treinador, mas como a seleção, bem ou mal, vinha ganhando, foi aconselhado a esperar o "momento certo'' para a troca.

E ele veio com o empate com a Colômbia e com a derrota para a Argentina por 2 a 1 no tempo normal, na quarta-feira, em Buenos Aires. Marin viu aí a oportunidade de se livrar de Mano - e por tabela de mais um nome da 'era Teixeira'. "Foi a gota d'água, ele não gostou da derrota e da maneira como a seleção jogou'', disse pessoa próxima ao dirigente.

Marin não cumprimentou Mano e o jogadores pelo título conquistado nos pênaltis e voltou para o Brasil antes da delegação. Anteontem, decidiu, junto com Del Nero, por demitir Mano e toda a comissão técnica da seleção.

Demissão formalizada na reunião de ontem. Andrés era o único que defendia a permanência de Mano. Mas, apesar de dizer que foi "voto vencido'' durante a reunião (mais informações na página E3), ele nem sequer pôde colocar sua posição. Foi apenas comunicado de que o treinador seria demitido. E, pelo cargo que exerce, foi dar a notícia a Mano Menezes. / COLABOROU PAULO GALDIERI

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