Jörg Carstensen/DPA/AFP
Jörg Carstensen/DPA/AFP

Seleção unificada das Coreias é atração no Mundial masculino de handebol

Equipe une atletas do Norte e do Sul na disputa do torneio e vai enfrentar os donos da casa e o Brasil, na última rodada

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2019 | 04h32

O Mundial masculino de handebol começa nesta quinta-feira, na Alemanha e na Dinamarca, em um evento esportivo que dá mais um passo para melhorar as relações políticas entre as Coreias do Sul e do Norte. Os dois países terão uma equipe unificada na competição, com 16 sul-coreanos e quatro atletas norte-coreanos – houve um pedido especial para que a seleção pudesse inscrever mais jogadores do que o limite.

O duelo inaugural será justamente contra a anfitriã Alemanha, às 15h15 (horário de Brasília). Como bandeira, a Coreia usará a imagem da península em azul. “É superimportante essa presença unificada. Acredito que o esporte pode movimentar muito politicamente todos os países. Acho que é um primeiro passo para uma futura unificação das Coreias. É com pequenos passos que conseguimos alcançar grandes coisas”, disse o brasileiro Thiagus Petrus.

O movimento de união entre as duas Coreias teve momentos marcantes no ano passado, durante os Jogos Olímpicos de Inverno, quando as delegações desfilaram juntas na cerimônia de abertura em Pyeongchang e contaram com um time único no hóquei no gelo. Outro episódio foi a junção das equipes durante o Mundial por equipes de tênis de mesa. Elas iriam se enfrentar pelas quartas de final no feminino, mas decidiram evitar o confronto e seguiram unidas no meio da competição.

A presença da seleção coreana unificada no Mundial de handebol ocorre em um momento emblemático: no ano em que a Alemanha festeja três décadas da queda do Muro de Berlim – em novembro de 1989. “Com a queda do muro, seguiu-se o caminho da paz. Queremos mostrar, como uma equipe unificada, que nós, coreanos, também podemos seguir um caminho semelhante”, afirmou o técnico Cho Young-shin, que é sul-coreano.

O primeiro contato entre os jogadores foi pouco antes do Natal, em Berlim. No início houve uma frieza habitual, mas depois os atletas se entrosaram. “Desde então estamos conectados pela amizade”, admitiu o norte-coreano Ri Song Jin. A vaga no Mundial foi obtida pela Coreia do Sul ao ficar em terceiro no Campeonato Asiático. A união das equipes foi incentivada pela Federação Internacional de Handebol e pelo Comitê Olímpico Internacional.

Tanto Alemanha quanto Coreia estão no grupo do Brasil, considerado o mais complicado do Mundial. A seleção brasileira estreia na sexta-feira justamente contra a França, atual bicampeã mundial e principal potência da atualidade. “Nosso grupo é bastante complicado, acho que é o mais difícil do torneio. A gente tem quatro europeus na chave e nosso objetivo primeiramente é passar para a segunda fase”, explicou Thiagus, armador e um dos jogadores mais experientes da seleção.

Além de Alemanha, Coreia, Brasil e França, o Grupo A tem ainda Sérvia e Rússia. “O Mundial é uma das maiores competições de handebol e a esperança é grande de tentar fazer um bom papel”, completou Thiagus, que sonha projetar a seleção masculina no mesmo nível da feminina, que em 2013 foi campeã mundial com uma incrível campanha sob o comando de Morten Soubak.

TRÊS PERGUNTAS PARA THIAGUS PETRUS

1. Qual a expectativa da seleção brasileira para a disputa do Mundial?

É boa, ainda que a gente não tenha tido a preparação ideal. A gente vem treinando desde o dia 27 de dezembro, fizemos três amistosos na Noruega e precisamos de um pouco mais de entrosamento ainda.

2. É complicado estrear justamente contra a França, bicampeã mundial?

A gente tem dois jogos complicados logo de cara, com França e Alemanha, e depois vamos enfrentar seleções que estão mais no nosso nível, como Rússia, Sérvia e Coreia. Acho que a gente pode conseguir essa classificação.

3. O fato de ter muitos atletas que atuam na Europa pode ajudar a seleção?

Com certeza. A maioria joga na Europa. Dos 16 convocados só três atuam no Brasil.

 

 

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