Seleções masculina e feminina estreiam bem

Entre os homens, vitória por 7 a 6 sobre o Chile. E as mulheres golearam o Paraguai por 11 a 2 na Praia de Copacabana

Gabriela Moreira / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2010 | 00h00

O Brasil estreou com duas vitórias no 8.º Campeonato de Futebol Social, iniciado ontem nas areias da Praia de Copacabana. No masculino, a equipe comandada por Pupo Fernandes venceu o Chile por 7 a 6. No feminino, o time de Alexandre Mathias bateu a seleção paraguaia por 11 a 2, na maior goleada do primeiro dia do campeonato, que internacionalmente é chamado de Copa do Mundo de Sem Teto (Homeless World Cup, em inglês).

Durante uma semana, 60 seleções femininas e masculinas de 48 países disputam a competição, cujo objetivo é "criar oportunidades" para jogadores em "situação de vulnerabilidade social", como descrevem os organizadores. Há seleções formadas por moradores de rua, como a holandesa, por refugiados de guerra, como a Palestina, e até por idosos sem lar, como a equipe do Japão.

Na chegada à Arena, Rudy Rosario, diretor do time das Filipinas, traduzia o espírito da competição. Com o cabelo no estilo dread lock e uma prancheta nas mãos, ele observava a seleção masculina do Brasil, time que terá de enfrentar hoje, às 9 horas.

"O Brasil tem um time muito bom, mas, assim como nós, nunca venceu nessa copa. Estou tranquilo, até porque o que importa aqui é elevar a autoestima dos jogadores", disse Rosario.

Zagueiro e artilheiro. Na partida a que o filipino assistia, o destaque foi Flávio de Andrade Galdino, de 19 anos. Morador da favela do Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, ele marcou três gols, na partida que abriu o torneio. "Essa é a maior chance que já tive na minha vida. Pretendo continuar bem para, quem sabe, algum time profissional me contratar", disse Flávio, que é zagueiro.

A equipe masculina é formada por jogadores que moram em áreas carentes de São Paulo, Rio e Paraná. "O futebol, aqui, é o meio. Esperamos que os meninos consigam um caminho. Não precisa ser só no esporte, mas que consigam cursar uma faculdade, que possam e consigam vencer", disse o técnico brasileiro, Pupo Fernandes.

Pelo feminino, a artilharia foi de Juliana Regina, de 16 anos, a "Ronaldinha". Fazendo jus ao apelido, ela teve seu nome gritado pela torcida oito vezes.

"Não imaginava que ia estrear tão bem. No início, estava muito nervosa, mas, depois do primeiro gol, deu tudo certo", disse a atacante, moradora da favela do Caramujo, na região metropolitana do Rio.

Treinada por Alexandre Mathias, a seleção feminina ainda teve de ceder três jogadoras para a equipe do Quirguistão, que estava desfalcada. O regulamento prevê que o país-sede tenha jogadores disponíveis para completar possíveis ausências em outras seleções.

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