JF Diório/AE
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Sem a liderança, crise se instala no Corinthians

Torcida cobra raça da equipe nas arquibancadas e, depois do jogo, organizadas tentam invadir vestiário

Vítor Marques, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2011 | 00h00

SÃO PAULO - O primeiro sinal de que a panela de pressão corintiana iria explodir foi dado logo depois de Alan Kardec marcar o terceiro gol do Santos. Com o clássico já definido, o grito dos mais de 37 mil torcedores mudou de tom: em vez de incentivos e apoio, cobrança. Pediam raça, ameaçaram jogadores do Corinthians e exigiram a saída de Tite.

Ao final do jogo, cenas lamentáveis, porém já corriqueiras, em períodos de crise no Corinthians. Torcedores de uma organizada tentaram invadir os vestiários para, segundo eles, conversar com o treinador. "Peço que respeitem a minha conduta, não falo com ninguém", disse Tite, na entrevista coletiva do lado de dentro dos vestiários. "Devo explicações ao meu comando (diretoria)."

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Coube ao gerente de futebol Edu Gaspar, ex-jogador que foi formado nas categorias de base do clube, atender a facção. "Se não conversasse, a ira poderia ser maior. Disse a eles para terem tranquilidade, estamos trabalhando em busca do título."

Com a derrota, o Corinthians perdeu a liderança do Brasileiro após 17 rodadas. Agora é o terceiro colocado, com 43 pontos, um atrás do São Paulo, seu próximo adversário, dois a menos que o Vasco, líder com 45.

O clima, que já não era bom no Corinthians, piorou. Foi a segunda derrota seguida. Resultado que comprova queda de rendimento do time, que teve início de campeonato arrasador, mas vem patinando há bom tempo.

Não será surpresa se a torcida tentar comparecer mais uma vez ao treinos no CT antes do clássico contra o São Paulo, quarta-feira, no Morumbi. A ira dos torcedores, pelo que se ouviu das arquibancadas, é de que alguns jogadores estão fazendo corpo mole e abusando das noitadas. "Tem que ser homem para jogar no Coringão" e "Fora, Tite", gritavam os torcedores com o segundo tempo em andamento.

"É um direito da torcida cobrar e a gente tem de aceitar", afirmou o zagueiro e capitão do time, Chicão.

Emerson admitiu que a equipe não está bem, mas disse que ainda é uma das primeiras na competição. Mas foi sincero e falou que se sente desanimado. "Não era isso que a gente queria. Mas não podemos cair de vez, se baixarmos a cabeça, a gente afunda."

SUSTO

O meia Alex dividiu uma bola com o lateral Danilo e se deu mal. Ele bateu com a cabeça no joelho do jogador do Santos e desmaiou em campo.

Segundo os médicos, Alex sofreu um trauma cervical. Ele saiu de ambulância do gramado e foi levado ao hospital São Luis, no Morumbi, onde uma tomografia revelou que nada de sério havia ocorrido. O jogador foi liberado para dormir em casa.

Durante o jogo, a Polícia Militar entrou em confronto com torcedores do Santos, que estavam no setor de visitante.

Antes da partida, a Federação Paulista de Futebol disse que iria testar um software israelense capaz de identificar torcedores brigões. E que o sistema de câmeras seria testado justamente na torcida visitante.

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