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Reginaldo Leme
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Sem a mesma alegria

Difícil imaginar que em 60 anos de GP da Alemanha, Sebastian Vettel é apenas o terceiro piloto do país a vencer uma corrida em casa, agora junto com os irmãos Michael e Ralf Schumacher. O sonho do piloto que, aos 26 anos já acumula três títulos mundiais e caminha para tentar o quarto consecutivo, foi realizado. Mas o dos alemães, nem tanto. Fiquei com a impressão de que muitos dos torcedores que lotaram Nurburgring foram lá curtindo a esperança de ver a Mercedes-Benz voltar a vencer naquele circuito 59 anos depois da conquista de Juan Manuel Fangio, que em 1954 levou a montadora alemã ao título com seis vitórias em oito corridas.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2013 | 02h03

É notável a diferença da Nurburg da era Schumacher para a Nurburg da era Vettel. A pequena vila onde oficialmente moram apenas 170 pessoas, e vive das atividades do autódromo em mais de 30 fins de semana do ano, costumava ser tomada por pessoas dispostas a curtir três dias e noites de festa em acampamentos à beira da estrada e barracas vendendo cerveja, salsicha e muita alegria até a madrugada de domingo para segunda-feira. Caminhar entre essas pessoas, curtir uma boa cerveja e saborear a melhor salsicha do mundo (tanto a bratwurst como a bockwurst) era o grande barato deste GP. Na era Vettel eu vi bem menos gente nas ruas e nenhum clima de festa. Ou o carisma de Vettel não se compara com o de Schumacher ou já não se fazem alemães como antigamente.

Seja qual for a explicação, o momento da F-1 ainda é alemão. Além de Nico Rosberg já ter vencido duas vezes no ano e a Mercedes ter conquistado seis pole positions nos últimos sete GPs, os números de Sebastian Vettel só crescem. Agora com 110 largadas, ele já soma 39 pole positions (atrás apenas de Ayrton Senna e Michael Schumacher), 52 pódios e 30 vitórias. Falta uma para ele alcançar Nigel Mansell e duas para empatar com Fernando Alonso. Só que o espanhol tem 205 grandes prêmios, quase o dobro do alemão. A vitória de Vettel em Nurburgring é a 136.ª de um piloto alemão na F-1. Enquanto ele e Rosberg já somam seis neste ano em que Hamilton ainda corre atrás de sua primeira conquista pela Mercedes, a Alemanha se aproxima rapidamente da Inglaterra na liderança dos países vencedores de Grandes Prêmios.

Para efeito de estatística, na F-1 a Grã-Bretanha sempre foi considerada uma nação única. E segundo os dados mais confiáveis (Grand Prix Guide e site Forix), desde a criação do Campeonato Mundial em 1950 os pilotos britânicos somam 226 vitórias. Só que, descontadas as 65 dos escoceses Jackie Stewart, Jim Clark e David Coulthard, mais as quatro do irlandês Eddie Irvine, sobram para os ingleses 157. A Alemanha, que até a primeira de Schumacher em 1992, só contava com três vitórias (duas de Wolfgang Von Trips em 1961 e uma de Jochen Mass em 1975), nos últimos 22 anos chegou a 136.

Os dois pilotos que mais lideraram corridas em 2013 são os alemães Vettel (230) e Rosberg (104). A Mercedes ultrapassou a Ferrari no Mundial de Construtores (183 a 180) e, depois de ficar duas vezes em 4.º lugar e uma vez em 5.º nos três anos que marcam sua volta à F-1, vai disputar o vice-campeonato palmo a palmo com a Ferrari até o fim da temporada.

Chegando à metade do campeonato, a briga entre os pilotos ainda pode sofrer reviravoltas. Mas o plano de Alonso e da Ferrari de começar a reduzir a vantagem de Vettel a partir do GP da Inglaterra, mesmo com uma quebra do carro da Red Bull em Silverstone, não está funcionando. O espanhol está fazendo mais do que o carro da Ferrari permite. Com duas vitórias e outros três pódios, ele se mantém na vice-liderança, 34 pontos atrás do líder. Mas se as próximas corridas comprovarem a evolução do carro da Lotus, Kimi Raikkonen, o único a marcar pontos em todas, inclusive com uma vitória e quatro segundos, será uma grande ameaça. Ele já está sete pontos atrás de Alonso, e a Lotus parece tão disposta a empurrar o finlandês, que nas duas últimas corridas mandou para Romain Grosjean o famoso recadinho pelo rádio: "Kimi está mais rápido do que você". Talvez seja o último golpe para tentar evitar a saída de Kimi para a Red Bull. Se é que isso ainda é possível.

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