Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

Sem alternativas, Muricy vem com três atacantes contra o Corinthians

Treinador escala Borges ao lado de Neymar e mais Kardec em busca de pelo menos dois gols

Sanches Filho, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h04

Muricy Ramalho vai com três atacantes para derrotar o Corinthians no Pacaembu e recolocar o Santos na briga pelo quarto título da Libertadores da América. Como nem o empate serve e a vitória por 1 a 0 leva a decisão da vaga para os pênaltis, toda a preparação santista foi voltada para que o time recupere o alto aproveitamento ofensivo apresentado no Campeonato Paulista (média de 2,52 gols por jogo).

Como o Santos precisa de fazer pelo menos dois gols, Muricy vai trocar Elano por Borges. Nos últimos oito jogos, três com a força máxima, o antes devastador ataque santista marcou apenas dois. O mais importante foi o de Alan Kardec, diante do Vélez Sarsfield, da Argentina, na Vila Belmiro, classificando o time às semifinais da Libertadores, e o outro de Rentería, atuando pelo misto diante do Fluminense, na terceira rodada do Campeonato Brasileiro.

O ensaio do novo ataque - com Alan Kardec, Borges e Neymar - começou no segundo tempo na derrota por 1 a 0 diante do Corinthians, no primeiro jogo das semifinais, quarta-feira passada, na Vila Belmiro. E não saiu o gol porque Cássio, com pelo menos duas grandes defesas, não permitiu, mas Muricy gostou do que viu.

PAREDEO que muda é que com Borges o time passa a ter um atacante que, além de finalizar com facilidade e eficiência, sabe como poucos fazer a "parede" para quem chega de trás com a bola dominada, aumentando as chances de gol com as chegadas de Paulo Henrique Ganso e Arouca.

Outra vantagem é que, com Borges jogando mais avançado, Alan Kardec voltará para compor o meio de campo, com a missão de ajudar Ganso (ainda carece de melhor ritmo, depois de permanecer 19 dias parado por conta da artroscopia no joelho direito) na articulação e se movimentar ao lado de Neymar, caindo pelos lados do campo quando o time recuperar a bola.

O ensinamento que Muricy tirou da derrota da quarta-feira passada foi que o Santos só é Santos quando amedronta o adversário com a sua força ofensiva. No primeiro jogo da decisão da vaga às finais, o seu toque de bola na etapa inicial só beneficiou o Corinthians, que tem um sistema sólido de marcação e acumula jogadores no meio de campo.

RENDIMENTO BAIXO

Borges está longe de lembrar o artilheiro do ano passado, com 24 gols em 33 jogos. Além de ter iniciado o ano em má fase, ele acabou sendo a vítima na mudança de filosofia de jogo do time. A partir da aula que o Santos teve do Barcelona, na goleada por 4 a 0 na decisão do Mundial de Clubes, em dezembro passado, no Japão, Muricy passou a exigir que a equipe trabalhasse melhor a bola e deixasse de arrancar desordenadamente em direção à área adversária todo momento.

Borges sentiu demais a mudança. Ele trabalha num espaço menor, perto da área, e sente dificuldade se tiver de voltar até a intermediária para entrar na troca de passes. Por ser mais técnico, versátil e também goleador, Alan Kardec acabou mandando Borges para o banco.

Hoje, como o jogo vale muito mais do que três pontos, é hora de abandonar a ideia transformista e criar mais opções para chegar às redes adversárias. E Borges é uma das mais importantes delas.

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